A popularidade e a autoestima na infância

A popularidade e a autoestima na infância

A necessidade do elogio não tem idade. Mas na infância, tem papel fundamental. Isso porque a formação do caráter de cada um depende muito dos estímulos e exemplos dados nessa época da vida. Se agir mal e for criticada, a criança entende que o que fez é ruim e tende a não repetir. Da mesma forma, ao receber elogios por uma boa atitude, ficam mais propensas a repetí-las, numa corrente do bem.

"Todas as pessoas têm a necessidade de se sentir acolhidas, aceitas, pertencentes a um grupo ou meio. A criança também. Desde cedo vamos formando a autoestima a partir da relação com nossos pais e das reações das pessoas às nossas colocações e atitudes, ou seja, a partir do ‘feedback’ ao que fazemos", explica a psicóloga Marina Vasconcellos, de São Paulo.

A partir disso, Marina reforça a ideia de que a autoestima está intimamente ligada a esse retorno e, consequentemente, a popularidade que a criança tem ou não. "Quanto mais somos elogiadas e incentivadas, encorajadas a fazer as coisas, a nos arriscar, assim como reforçadas positivamente, maior será a autoestima desenvolvida. Se a criança é popular e percebe que agrada as pessoas, fica mais fácil acreditar que é boa, que seu potencial é grande e que pode se dar bem na vida", esclarece.

Durante a infância, a aceitação na roda de amigos é fator primordial na formação da autoestima. Aqueles que sofrem preconceitos - ou o chamado "bullying" - sofrem não apenas quando pequenos, mas também na vida adulta. O uso de drogas e substâncias ilícitas, por exemplo, é uma das formas que o indivíduo encontra para chamar atenção e provar que tem potencial. "O abuso dessas substâncias é algo que se faz para provocar o olhar dos outros, algo que a pessoa não teve. Porém, ela não percebe que não era ‘esse’ olhar que ficou faltando, mas sim toda uma atenção que não pôde ser dada pelos mais variados motivos. Acabam chamando a atenção para si pela doença, não por atitudes saudáveis, e precisam da ajuda dos que as rodeiam para se tratar. Assim, obrigam as pessoas a ‘incluí-las’ em suas vidas através da preocupação e dos cuidados necessários ao seu tratamento", diz Marina, também terapeuta familiar.

Além desses problemas, a insegurança na vida adulta propicia o aparecimento de doenças psicossomáticas e a demora no tratamento de outras doenças simples, do dia-a-dia. "Nosso organismo reage muito de acordo com a maneira como levamos a vida. Uma postura positiva frente à vida e aos problemas influencia o resultado de nossas ações. É notório o quanto as pessoas que levam a vida mais feliz e de maneira leve são menos doentes e conseguem se safar mais facilmente de situações difíceis. Já os medrosos e excluídos estão frequentemente se queixando de incapacidade para realizar algo", explica a profissional.

Quando o assunto é mimar os pequenos, Marina faz um alerta: dar tudo não significa dar autoestima. "Os pais devem ensinar os valores realmente importantes às crianças, mostrando que ninguém é melhor só porque tem algo, mas sim porque ‘é’ algo, ou ‘sabe’ algo, e isso sim se leva para a vida toda. A autoestima deve ser construída em cima de potenciais da própria criança, valorizando-a em suas qualidades, mostrando o quanto ela pode conseguir se esforçar-se um pouco mais, enfim, deve-se deixar claro que o importante na vida não é apenas o consumismo ou a moda. A influência do grupo muitas vezes pesa e fica difícil lutar contra o ‘todo mundo tem’, mas a postura firme dos pais, juntamente com o diálogo, é decisiva para a transmissão de valores essenciais".


Incentivar amizades, trazer amigos para brincar em casa desde cedo, deixar o filho brincar ou dormir na casa de amiguinhos ou participar de acampamentos de férias são atitudes importantes que os pais precisam incorporar à criação dos filhos. Marina sugere ainda que os pais perguntem sobre os amigos da escola e demonstrem interesse por eles, incluam esportes na rotina da criança e a leve a festas quando for convidada. "É preciso permitir que a criança tenha sua rede de relações e facilitar para que o contato seja possível".

Por Tissiane Vicentin (MBPress)

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