A polêmica dos celulares nas escolas

A polêmica dos celulares nas escolas

Foi-se o tempo em que celular era um luxo apenas pelos ricos. Esse aparelhinho caiu no gosto popular e hoje é difícil encontrar alguém que não tenha um. Até as crianças levam um telefone móvel na mochila a todos os lugares, inclusive à escola.

Com o tempo, o celular, que era usado pelas crianças e adolescentes somente em casos de urgência e para a segurança deles, acabou virando moda e artigo indispensável. Tanto que esse aliado na comunicação familiar pode se tornar um tormento na vida de professores, coordenadores e diretores de colégios.

Em estados como São Paulo e Paraíba, já existe uma lei que proíbe o uso de celulares nas escolas estaduais. Na cidade do Rio de Janeiro, a lei é mais abrangente, e engloba todas as instituições de ensino (estaduais, municipais e particulares).

Wagner Sanchez, diretor pedagógico do Colégio Módulo, em São Paulo, afirma que, como acontece em muitas instituições de ensino, seus alunos são advertidos a não levar o telefone para a escola. "Nossa posição é de orientar os alunos a não portarem celulares, pois qualquer emergência pode ser resolvida pelos telefones da escola".

Ele conta que o colégio onde trabalha possui, inclusive, um código disciplinar que proíbe que os estudantes atendam aos celulares durante as aulas. Isso porque o aparelhinho tira a atenção dos estudantes, já tão carentes de foco.

"Hoje os jovens recebem um bombardeio de informações multimídia que acarreta deficiência na concentração. É notório que as últimas gerações apresentam esta dificuldade, pois na maioria dos ambientes do seu dia-a-dia elas recebem, por todos os canais de entrada para o cérebro, informações nas mais diferentes formas, tais como imagens e sons. Em casa, por exemplo, é comum o jovem permanecer horas com TV, rádio e Internet ligados simultaneamente. Este comportamento faz com que ele não consiga a concentração total em nenhuma informação recebida, absorvendo superficialmente o conteúdo apresentado".

Claro que o problema não é somente o uso de celulares, mas também de outros objetos que não têm relação com os estudos - aparelhos de MP3, iPods e vídeo games, por exemplo. Mas é fato que os celulares são os mais comuns entre os estudantes e, consequentemente, os que mais atrapalham as aulas e os professores, já que, como lembra Wagner, "um simples toque sonoro do recebimento de uma mensagem pode desconcentrar o próprio aluno e seus colegas".

A punição para os estudantes que usam o telefone móvel dentro de uma sala de aula fica por conta dos colégios. "Se trouxerem celulares para a escola, eles não podem ser usados ou manipulados em hipótese alguma dentro das salas de aula. Caso ocorra o uso ou a manipulação, os alunos sofrem sanções disciplinares previstas no nosso código disciplinar. Durante os intervalos o uso é liberado. Vale ressaltar que casos especiais podem ser administrados pela coordenação da escola", esclarece o diretor do colégio Módulo.

Então, o melhor mesmo é ensinar os filhos a dosar o uso de seus aparelhos eletrônicos, especialmente na escola. A comunicação é algo essencial, mas precisa ser feita na hora certa.

O advogado Raphael Lopes deixa que a filha Gabriela, de 15 anos, leve o celular para a escola. Mas com uma condição. "Ela não pode utilizar na sala de aula. Aparentemente, Gabi tem essa consciência, pois uma vez ou outra eu ligo e o telefone ou está desligado ou ela não atende mesmo", diz. E o pai da menina vai mais longe. "Eu particularmente entendo que se a escola esclarece as regras e o aluno desobedece, deve confiscar o celular e entregar somente para os pais, com advertência por escrito".

Karla Silva, mãe de Miguel, 11 anos, deu um celular de presente para o filho por questão de segurança. "Ele vai sozinho para casa, depois da aula. E quero poder ligar para ele, no caminho, saber se está tudo certo", conta. Por isso, o celular do menino está sempre na mochila. Karla garante que Miguel foi orientado a não usar o telefone na escola e deve mantê-lo desligado o tempo todo. "Se quero dar um recado para ele, ligo na secretária mesmo".


A mãe de Mariana sofre com o apreço que a filha tem pelo celular. Dona de um aparelho de última geração, com acesso à internet e tudo, a menina de 12 anos não desliga o aparelho nunca. "Quero twittar na hora da aula", confessa a adolescente. Claudete Maia sabe que erra dando à pequena quase tudo que ela pede. "Mas as amigas todas tem. Fica difícil controlar. Eu tento reprimir, dar uns castigos. Mas não sei o que acontece dentro da sala de aula".

Por Priscilla Nery (MBPress)

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