A linha tênue entre estimular ou bajular os filhos

Qual a diferença entre estímulo ou bajulação

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Ao ter um filho, os pais sempre pensam quem será o mais lindo, mais inteligente e melhor sucedido do mundo. Baseados nessa certeza tendem a estimulá-los em toda situação, muitas vezes não percebendo qual o limite entre o incentivo necessário para sua autoestima ou o excesso de bajulação. Alguns, inclusive, acham bonito ou engraçado até mesmo comportamentos ruins.

Segundo a psicóloga Cibele Micai não existe regra para incentivar os filhos em suas atividades, desde que seja um desejo real da criança e não uma vontade dos pais. "O filho tem o pai como modelo ou espelho e todo incentivo na primeira infância é dada como apoio e motivação, sempre será visto como aprovação e reconhecimento de mérito e é muito importante", detalha a psicóloga, que salienta que só o incentivo vazio não basta. Os pais também devem servir como exemplo, se são sedentários, não adianta incentivarem os filhos a fazer exercícios, não vai funcionar."

Muitos pais maquiam a realidade com a imagem de perfeição do filho, deixando passar algumas atitudes ruins, como desobediência ou desrespeito, com a antiga frase: "em casa nós conversamos". "A repreensão ou punição tem que ocorrer no momento do ato, não precisa expor a criança, basta retirá-la do local e conversar com ela sozinha, mas tem que ser na hora para que entenda o que está acontecendo", orienta a psicóloga.

De acordo com a especialista, a falta de limites das gerações dos anos 80 e 90 resultaram num crescimento gigantesco de transtornos de personalidade, de sociopatas e delinqüentes. "A imposição de limites é necessária e saudável para o desenvolvimento infantil, ela irá moldar a índole e o caráter da criança quando for adulta."

Para a psicóloga, o excesso de elogios ou fechar os olhos para o mau comportamento dos filhos reflete pais que não querem ter esforço na educação ou que foram controlados pelos seus pais e acreditam que a liberdade total é a melhor forma de educar.


"Um exemplo comum na primeira infância: a criança fala palavrões ou bate nos pais, e todos riem, estimulam a fazer de novo, a criança registra como certo e/ou comportamento valorizado e depois quando ela fizer mais tarde não tem como reprovar", finaliza Cybele.

Por Carmem Sanches

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