A geração de filhos únicos

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Foto: Photostock http://goo.gl/3WxfN

Casais que têm apenas um filho podem tornar a criança mimada e com dificuldades em aceitar que as suas vontades não sejam feitas, além de fazer dela uma pessoa impaciente e imediatista. Porém é possível evitar esta situação.

Segundo o IBGE, a taxa de fecundidade é de 1,86 filho por mulher. No estado de São Paulo este número é ainda menor, 1,72 filho por mulher. Isso significa que os casais estão tendo menos filhos, muito deles têm apenas um herdeiro.

A psicóloga Jéssica A. Fogaça acredita que os filhos únicos normalmente são crianças planejadas por pais dispostos a dar tudo de forma integral, incluindo atenção exclusiva. "Mas tudo que é demais pode gerar saciação ou despreparo para lidar com a falta e os pais precisam ficar atentos", diz a psicóloga. O resultado pode ser crianças mimadas!

Jéssica Fogaça diz que a responsabilidade pelo comportamento da criança é de todas as pessoas envolvidas na sua educação, incluindo tios e professores, por exemplo. "Pois um dia, essa criança aprendeu que tudo bem se não dividisse nada com os outros, se fizessem as coisas para ela. Provavelmente, os adultos responsáveis não disseram que aquilo era errado, não deram os limites adequados e foram deixando passar", afirma a psicóloga. "Assim, a criança aprendeu que podia fazer determinadas coisas e agir de determinada maneira", completa.

Claro, é possível ensinar qualquer criança, com ou sem irmãos, a ser generosa, simpática, amiga e compreensiva. Segundo a psicóloga, o jeito de evitar que os filhos únicos se comportem de maneira inadequada é ensinando as atitudes corretas, dando modelo adequado, ensinando as regras sociais e dando limites. Jéssica alerta: "É importante que os pais também ensinem o filho único a dividir, nem que seja com os próprios pais, desde alimentos até brinquedos. Esse é um treino importante para o convívio com outras crianças, principalmente na escola."

A psicóloga afirma que é importante lembrar que na escola, por exemplo, a criança terá que esperar pela sua vez, dividir os brinquedos com outras crianças, dividir a atenção da professora com os outros. "Se ela não aprendeu isso antes, em casa, terá muitas dificuldades de adaptação ao novo ambiente, principalmente porque a escola é um preparativo para os relacionamentos que teremos durante a nossa vida", diz.


Não saber lidar com a frustração é um dos maiores problemas enfrentados por uma criança mimada. Jéssica diz: "Nem sempre poderemos ter o que queremos, principalmente no momento em que desejamos e a criança precisa aprender essa lição".

É dever dos pais preparar os seus filhos para o convívio no mundo. Isso implica em deixar os filhos experimentarem pequenas frustrações, porque elas também fazem parte da nossa vida. "Os pais devem lembrar que não estarão sempre presentes ao lado de seus filhos e que precisam ensiná-los a se defender e a conviver com os demais", finaliza a psicóloga.

Por Bianca de Souza (MBPress)

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