A fome dos meninos

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Fome todo mundo tem, não importa o sexo. Mas já reparou que, em algumas fases da vida - ou, às vezes, durante a vida toda - meninos e meninas têm um apetite diferente e aquela vontade voraz é característica do sexo masculino? Pois bem, isso, agora, tem explicação.

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Nacional de Saúde Infantil e Desenvolvimento Humano dos Estados Unidos concluiu que meninos consomem muito mais alimentos - ao longo do dia - que meninas. Isso ocorre, principalmente, na puberdade, período em que o "estirão" corre solto e aquele molequinho vira homem da noite para o dia. Durante o estudo, feito com 204 crianças, em geral meninos de 8 a 10 anos comeram 1300 calorias no almoço, contra 900 das meninas de mesma idade.

Segundo a gastropediatra Izaura Assumpção, do Hospital Infantil Sabará, isso é normal, dado que o corpo de ambos os sexos possui de necessidades diferentes. E isso se torna acentuado na fase mais acelerada do crescimento. "As necessidades nutricionais variam de acordo com o ritmo de crescimento, sendo bastante intensa no primeiro ano de vida, particularmente nos primeiros seis meses e depois na fase de estirão da puberdade", explica a médica.

Mesmo assim, as meninas também possuem uma fase de comilança. Entre os 10 e 12 anos, normalmente as jovens se alimentam com maior quantidade de calorias. Isso se dá ao fato de, exatamente nesse período, coincidir com a puberdade das moças. O período masculino é marcado entre os 12 e 14 anos.

Você só deve mesmo se preocupar a partir do momento que ter o garfo sempre a postos significa ingerir uma grande quantidade de calorias desnecessárias para aquela fase do crescimento. Nesse ponto, a vontade de comer pode trazer problemas.

"Deve-se lembrar que o aumento da necessidade energética - de cálcio e ferro nos adolescentes está relacionado ao aumento da massa corporal e não ao aumento de peso. É importante ter esse dado em mente e seguimento de uma dieta equilibrada, evitando-se a obesidade", adverte a especialista. Saiba que, ainda segundo o estudo, crianças obesas têm grandes chances de se tornarem adultos obesos. Então, mamães, fiquem atentas.

Segundo Izaura, ter uma dieta equilibrada e levando em considerações fatores externos como hábitos alimentares corretos, ingestão de frutas e legumes, prática de esportes e outros - determina o quanto seu pequeno pode comer.

"A quantidade de alimentos ingeridos depende basicamente da necessidade calórica. Entretanto, os fatores externos que influenciam essa ingestão são preponderantes para o surgimento de agravos nutricionais. Hábitos familiares, oferecer alimentos como recompensa, uso de sucos e guloseimas nos intervalos das refeições, alimentar-se em frente da TV - sem perceber o quê e o quanto se ingere - são fatores que levam a ingestão aumentada e grave risco de obesidade", afirma a médica.

Fique esperta com o oposto também. Quem faz esportes e não tem a quantidade de nutrientes necessária, ou - no caso das meninas - tem obsessão pela aparência magra de ser, correm um grave risco de adquirirem anemia e desnutrição.


"Práticas esportivas demasiadas ou dietas rigorosas impostas a atletas amadores, à semelhança dos profissionais, além de preocupação excessiva com a imagem corporal nas meninas podem acarretar desnutrição. Essa baixa ingestão calórica nos adolescentes pode retardar aparecimento da menstruação nas meninas, além de comprometimento de estatura em ambos os sexos", alerta Izaura. Tomando esses pequenos cuidados você estará garantindo que seu menino ou menina cresçam saudáveis e satisfeitos, literalmente falando.

Por Tissiane Vicentin (MBPress)

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