É possível superar a dor da perda de um filho?

Veja aqui histórias de mães e grupos de apoio para passar pela maior dor que uma mãe pode enfrentar
tati quebra barraco perda de filho

(Reprodução/Facebook/Tati Quebra Barraco)

Quem é que não sente um nó na garganta ao imaginar a dor da perda de um filho? Não há palavras capazes de traduzir fielmente um sentimento tão cruel que, infelizmente, atinge o peito de inúmeras mulheres. Como a cantora Tati Quebra Barraco, cujo filho de 19 anos foi morto em uma operação da polícia na Cidade de Deus, no Rio de Janeiro. Segundo o jornal O Globo, ele foi baleado no rosto pouco depois da 1 hora da manhã. A cantora usou o Twitter para falar sobre o ocorrido: “A PM tirou um pedaço de mim que jamais será preenchido. A PM matou o meu filho. Essa dor nunca irá se cicatrizar”. Como enfrentar? O que fazer? A quem recorrer para acabar com a dor que destrói um coração de mãe?


A morte de um filho, afirma Áurea, é sem dúvida a maior das perdas. "Tanto que não há nomenclatura para isto. Quando se perde pai ou mãe, fica-se órfão. Quando se perde esposo/ esposa fica-se viúvo. E quando se perde um filho? Quando uma mãe perde um filho, ela realmente sobrevive...porque voltar a VIVER parece praticamente impossível. Não conseguimos imaginar o dia de amanhã... Mas posso afirmar que é possível viver, em paz e com alegria. No meu caso o que me deu coragem para recomeçar foi a fé em Deus".

Grupos de apoio

Cissa Guimarães

Cissa Guimarães também foi uma pessoa pública que perdeu um filho aos seus 18 anos. Foto: Arquivo MBPress

Então, dois meses depois, Áurea conheceu a Associação Brasileira de Apoio ao Luto, o chamado Grupo Casulo (www.grupocasulo.org). "E fui com minha bebezinha de apenas dois meses no colo". Lá, desde então, ela participa de reuniões quinzenais ao lado de outras tantas mães que também viveram a tragédia de perder um filho.

"O grupo oferece consolo, ombro amigo, palavras de conforto. Não somos especialistas, terapeutas, psicólogos, mas compartilhamos a dor, tentando mostrar que é possível sobreviver, que com o tempo a dor ameniza. Com nossa própria experiência passamos esperança para aquelas mães e pais que nos chegam com o coração sangrando pela dor".

Durante as reuniões, os participantes ouvem quem está precisando desabafar, apresentam suas experiências, choram juntos, discutem temas importantes que envolvem o luto, como a culpa, o perdão, os filhos que ficaram, a relação conjugal.

"Eu tanto consegui sobreviver, como acreditar na vida. Um ano após o falecimento da Isabela, engravidei novamente e tive a Isadora. Superei a morte da minha filha Isabela com a vida das minhas filhas Gabriela, hoje com 11 anos e Isadora com 9", diz Áurea.

Formado por um grupo de profissionais de psicologia, o Instituto 4 Estações é outra entidade que dá suporte psicológico a pessoas que sofrem a dor da perda e enfrentam o luto. O site da instituição é repleto de informações sobre a situação da dor pela perda de um filho e das consequências físicas e emocionais que a situação pode acarretar.

Além disso, orienta sobre qual é o momento em que os pais devem procurar ajuda especializada para enfrentar a dor, como quando, dentre outros vários sintomas, não conseguem desvencilhar-se de nenhum objeto ou roupa do filho, mesmo após um ano de sua perda. O endereço é este.

Por Adriana Cocco editado por Thamirys Teixeira

Comente