Professor transforma escola tomada por traficantes em referência

O professor foi um dos dez vencedores do Prêmio Educador Nota 10. Conheça o trabalho que ele fez na escola municipal Darcy Ribeiro, em São José do Rio Preto (SP)
Diego Lima professor escola

Foto - Reprodução/RazõesParaAcreditar

Imagine uma escola tomada pelo crime e com pouca estrutura. Não é difícil encontrar uma dessas no Brasil, não é? Mas acredite, grandes atitudes e uma boa dose de boa vontade pode ser capaz de transformar completamente um cenário desanimador como este em uma referência nacional.


Foi esta a transformação que a escola municipal Darcy Ribeiro, em São José do Rio Preto (SP) passou, quando o professor Diego Lima a assumiu ano passado. Haviam banheiros imundos e sem vasos sanitários, salas com vidros quebrados e sinais de incêndio, as mesas e as cadeiras estavam todas depredadas e jogadas nos fundos.

A situação que já era degradante era agravada pela ação dos traficantes, que que escondiam cápsulas de maconha e cocaína em buracos no muro do local.

Para mudar tudo isso, o professor  foi entender a comunidade, conhecê-la de fato. As informações são do jornal O Globo.  Diego conversou e aplicou questionários para pais, alunos, funcionários e moradores locais do bairro. Depois, a ação começou a acontecer. Ele decidiu reformar a escola para que as crianças gostassem do ambiente. Falou com diversas escolas na região que passaram por reforma vendo se poderiam doar sobras de tinta e material de pintura. Dois pintores foram cedidos pela prefeitura, mas ainda era pouco, o que levou os pais a colocarem  mão na massa também.

“Começamos a receber materiais e tintas de todas as partes das cidades, e alguns pais pediam folga no trabalho para nos ajudar. Teve tanta gente envolvida que conseguimos pintar a escola inteira”, disse Diego.

Ao chegarem no local e notarem algumas salas pintadas, uma das alunas, emocionada, agradeceu dando um grande abraço na inspetora, que, por sua vez, contagiada com o efeito das melhorias nas crianças, resolveu ajudar.

Assim, um carro de som saiu pelas ruas chamando os pais para a entrega de materiais escolares, o que geralmente era feito através do envio de bilhetes.

No primeiro dia de aula, as mudanças foram nítidas. Todos os alunos foram recebidos pela equipe completa na porta enquanto em um telão passava um vídeo mostrando pais e funcionários arrumando a escola para eles. Além disso, antes das aulas todos os estudantes foram envolvidos para criar as normas de convivência e desenvolver o novo regimento.

Diego contou ao O Globo que, por semana, havia uma média de 60 suspensões por indisciplina. Com frequência, esses alunos suspensos acabavam evadindo, e houve ano em que mais de 200 de um total de 1.100 abandonaram os estudos. 

Mas, com as novas condutas definidas em parceria com os alunos, as suspensões acabaram, e, para evitar a evasão, a direção passou a procurar, um a um, os jovens que começavam a faltar com frequência. O número de alunos que largaram os estudos caiu para DOIS. Incrível! 

O muro que abrigava drogas virou um belo jardim. Hoje a escola realiza atividades culturais nos finais de semana e nas sextas-feiras. Todos podem comparecer e qualquer morador do bairro pode se apresentar no projeto Prata da Casa.

O resultado de tanto esforço levou o trabalho do professor a ser reconhecido. Ele foi um dos dez vencedores do Prêmio Educador Nota 10 (das fundações Victor Civita e Roberto Marinho) e poderá ser escolhido Educador do Ano em novembro. Vamos torcer?

 Por Thamirys Teixeira

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