Perfis de bebês nas redes sociais e imagem dos filhos na internet

Será que é saudável ter milhares de seguidores logo na primeira infância?
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Michel Teló com sua filha Melinda e Michael Phelps com seu filho Boomer. Foto: Reprodução/ Instagram

Você conhece o Boomer Phelps? Ele é o fofo filho do nadador americano Michael Phelps. Com apenas alguns meses de vida e muitos sorrisos para dar, o herdeiro já acumula 747 mil seguidores no Instagram. Que loucura, não é? 

Além do garotinho, Valentina, a filha de dois anos de Mirella Santos com o humorista Wellington Muniz, o Ceará, também está no Instagram desde os nove meses e coleciona cerca de 60 mil seguidores. Também temos o caso de Melinda, filha do cantor Michel Teló com a atriz Thais Fersoza, nascida em 1º de agosto, que também garantiu seu perfil na rede.

Fazer um perfil nas redes sociais ainda na primeira infância não é exclusividade dos famosos. Pais de todo o mundo estão viciados em compartilhar fotos das crianças na internet desde o começo da web. Isso nos leva a pensar: até que ponto somos donos da imagem digital dos filhos? O que eles vão pensar quando crescerem e tiverem milhares de seguidores para "agradar?

Para falar sobre isso, o VilaMulher convidou a Psicóloga Thaiana Brotto para responder algumas perguntas sobre crianças e internet. Ela tira dúvidas e fala sobre os reflexos da exposição na internet desde cedo. Confira a entrevista na íntegra:

Vila Mulher: Os perfis nas redes sociais podem interferir no futuro da criança?

Thaiana Brotto: Os álbuns de foto deixaram o papel e partiram para as redes sociais e isso tem crescido gradativamente ao longo dos anos. Mas é preciso que os pais esqueçam um pouco o presente e pensem em longo prazo como aquilo pode impactar a vida da criança. Será mesmo que quando seu filho estiver entendendo exatamente aquilo que está acontecendo ele vai se sentir confortável? Será que aquele número gigante de seguidores na rede social acompanhando a intimidade da criança é realmente necessário? 

Nos consultórios de psicologia a quantidade de adultos que nos procuram para trabalhar problemas que trazem desde a infância é enorme. E confirmo que muito tem a ver com o tipo de ambiente a que estes adultos enquanto crianças foram expostos.

VM: Isso significa que devemos consultar as crianças antes de postar fotos deles? 

TB: Para os pais que optam por manter uma rede social voltada para o filho, a dica é: o quanto antes ele saber do que está acontecendo, melhor. É claro que uma criança de três, quatro, cinco anos, até crianças um pouco maiores com seus sete ou oito anos ainda não têm a malícia de entender quais podem ser as consequências dessa escolha, mas falar sobre o que é uma rede social, sobre como funciona, as pessoas que veem, o quanto antes a criança entender e ser preparada para lidar com isso no futuro, não minimiza possíveis impactos, mas pode evitar alguns traumas.

VM: Como não constranger os filhos na intenet?

TB: Postar fotos de passeios é totalmente diferente de você postar dando banho, por exemplo. Os pais podem criar um objetivo para o perfil na rede, como por exemplo, postar com o objetivo de mostrar a roupinha do dia. 

VM: Uma criança exposta desde cedo pode desenvolver problemas com a imagem própria? 

TB: Isso dependerá, excepcionalmente, do conteúdo que os pais decidem lançar na rede. Se os pais optam por postar fotos comuns, do dia-a-dia, de passeios, por exemplo, e não com o objetivo e foco principal a beleza da criança, há um indício, sim, de essa criança crescer com exigências em relação à própria imagem, mas as chances são menores do que de crianças que tem como único objetivo, na rede social, a beleza (rosto, cabelo, etc.). 

Anotaram, pais? Então fiquem ligados e respeitem a imagem das crianças!


Por Thamirys Teixeira

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