Desafio da borracha: 'Eraser Challenge' faz crianças criarem feridas

Depois do Desafio da Baleia Azul ter feito vítimas no Brasil, outros desafios estão surgindo nas redes sociais, como “The Eraser”, ou Desafio da Borracha
desafio da borracha

Foto: Reprodução

Os desafios letais estão se propagando ultimamente como já comentamos aqui no VilaMulher. A novidade da vez é o “Eraser Challenge”, ou Desafio da borracha. Também chamado de jogo ABC, o "jogo" desafia os adolescentes a esfregarem repetidamente uma borracha no corpo até que um ferimento apareça. O game tem uma série de variações, mas basicamente consiste em recitar o alfabeto enquanto o desafio é feito, como um meio de distração. O objetivo é simples: ver quem consegue obter a maior ferida, como resultado da sua capacidade de suportar a dor.


Alguns adolescentes têm ido tão longe que combinam o Eraser Challenge com o desafio do sal e do gelo, onde os alunos colocam sal e gelo em sua pele. A interação dos dois provoca uma reação química, resultando em ferimentos semelhantes a queimaduras. e claro, muitas cicatrizes.

Desafio da borracha pode ser fatal

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Alguns estudantes já foram até internados em hospitais por causa dos ferimentos auto-infligidos. A Dra. Angela Mattke, MD na Comunidade Medicina Pediátrica e Adolescente na Mayo Clinic, em Rochester, observou o risco de infecção que esses adolescentes enfrentam. “Sempre que a barreira da pele é dividida, existe um risco aumentado de infecções”, disse Mattke.

De acordo com Mattke, a infecção tem de ser lavada muito a sério. Se uma infecção é ruim o suficiente, o aluno vai precisar de antibióticos. “Houve relatos de casos de infecções cutâneas no local da queimadura se tornando infecções mais graves e sistêmicas e fatais”, disse Mattke .

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Prova disso foi que em outubro de 2015, um estudante da escola Chico Junior High, em Chico, Califórnia foi hospitalizado por conta do Desafio Eraser. O estudante de 13 anos de idade contraiu uma espécie de choque tóxico devido às bactérias da borracha suja que esfregou contra o braço. O menino foi levado para o Centro Médico Enloe, onde os especialistas notaram que ele não conseguia manter seu oxigênio e pressão sanguínea sozinho. O jovem está em coma induzido e foi levado para Sacramento, no mesmo país, para receber tratamento mais avançado.

Parentes disseram que ele está em estado crítico, mas já houve melhoras. Os membros da família do menino pediram para que os pais usem a situação como alerta para impedir que o “Desafio da Borracha” continue.

Pressão do grupo faz jovens aderirem ao desafio da borracha

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Então, por que os adolescentes fazendo algo tão… estúpido? Joelle Simpson, MD pelo Sistema Nacional de Saúde da Criança, observa que a participação no desafio pode ser o resultado de crianças mostrando e sentindo a pressão dos colegas. “A pressão dos amigos não está contida dentro do pátio da escola, mas está se expandindo para o mundo virtual dos meios de comunicação social”, disse o Dr. Simpson. “As crianças estão sempre apostando quando se trata de desafios como este, por isso é importante que os pais estejam cientes em que seus filhos estão envolvidos.”

Pais precisam de atenção redobrada

desafio letal

Foto: Istock/Nomadsoul1

O Desafio da Baleia Azul e o Desafio da Borracha são exemplos de como os pais precisam prestar cada vez mais atenção no comportamento dos filhos. De acordo com as psicólogas do Colégio Santa Inês, precisamos tomar cuidado ao falar do assunto com as crianças. As profissionais dizem que levantar o pânico pode causar o efeito inverso, glamurizando o suicídio e tornando ainda mais nebuloso o limite entre realidade e ficção.

Para evitar que as crianças se envolvam com desafios nocivos é preciso aumentar e melhorar a convivência em família e principalmente criar uma uma rotina de escuta e diálogo em casa e na escola. A participação em grupos com propósitos de vida (voluntariado, escoteiros, ateliês de arte, times esportivos, etc.) também são ótimos espaços de promoção de saúde mental. 

Ao notar que a criança está se envolvendo neste tipo de desafio o mais indicado é que os pais procurem a psicoterapia. Pergunte, tire dúvidas, informe-se com fontes de qualidade e lembre sempre aos filhos de que eles são muito amados.

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