Déficit de atenção na infância

Déficit de atenção na infância

Foto: © Paul Edmondson/Corbis

Seu filho tem dificuldade para assistir a aula? Inquietação, agitação, impulsividade excessivas e dificuldade de aprendizagem pode ser o diagnóstico de transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). Como diferenciar o transtorno da agitação normal da idade e ambiente em que a criança vive?

O dr. Fausto Flor Carvalho, presidente do departamento de saúde escolar da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP) nos alerta: "Na prática diária, percebemos que há muita desinformação acerca do TDAH, facilitando suspeitas e até mesmo diagnósticos equivocados, que incidem sobre crianças que são apenas desatentas".

O papel da escola na identificação do problema é bastante questionado e requer cuidados. Antes de encaminhar o aluno a psicólogo ou neurologista, a escola pode chamar os pais e conversar sobre a possibilidade de se tratar de um transtorno de aprendizado. Diagnósticar o TDAH é função de um especialista, no caso, o pediatra.

Segundo o dr. Marun David Cury, membro da Diretoria de Defesa Profissional da SPSP: "É da abrangência do pediatra confirmar ou não uma possível dificuldade de aprendizagem, déficit ou outro distúrbio, e isso será feito a partir da análise de todo o histórico do pequeno paciente, desde o pré-natal."

Em muitos casos, pode se tratar apenas de um problema de visão ou de audição, que dificultam a compreensão e acompanhamento adequado da aula.Por isso, explica o dr. Saul Cypel, presidente do Departamento de Neurologia da SPSP. É importante que se avalie a criança como um todo, inclusive nas relações sociais, principalmente dentro do ambiente familiar."Muitas das alterações de comportamento têm origem na inadequação de relacionamento dos pais com os filhos, por exemplo, a falta de incentivo em lidar com regras e limites, ou o excesso de cuidados familiares ou outras pessoas que participem da casa, que não favorece a força de agir por conta própria, não promovendo a sua autonomia", explica.

Tratamento

A aliança entre os pais, a escola e o pediatra é o primeiro passo para ajudar uma criança com problemas de comportamento ou dificuldade de aprendizado. Há casos em que a psicoterapia, ou terapia familiar, podem ser indicadas.

O medicamento poderá entrar em cena complementando as opções anteriores. Nestes casos específicos, há medicamentos úteis, mas que devem ser usados criteriosamente, e sob rigorosa prescrição médica.

"Há trabalhos em que o uso indiscriminado ou abusivo de medicação na infância pode levar resultar em adolescentes mais suscetíveis a quadros depressivos", acrescenta dr. Fausto. O especialista lembra, ainda, que todo medicamento tem contraindicações e efeitos colaterais. Mesmo quando indicados, podem trazer reações indesejadas, que devem ser monitoradas pelo pediatra ou, se for o caso, por um neurologista ou psiquiatra.


Por Vila Mulher

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