Brasil ainda carece de saúde para mães e crianças

pré natal

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Mais uma estatística que comprova: estamos distantes do "padrão-FIFA" para a saúde das mães e crianças no país da Copa do Mundo. Quanto mais se pesquisa no Brasil, mais assustador é o panorama que se apresenta. Por outro lado, há muitas possibilidades de melhoria.

A última pesquisa publicada recentemente foi o Inquérito Nacional sobre Parto e Nascimento em que quase 24.000 mulheres foram entrevistadas em maternidades públicas, privadas e mistas, em 191 cidades do Brasil.

Os dados dessa pesquisa da Fiocruz (Nascer no Brasil) foram coletados entre as puérperas na maternidade, 45 dias após a alta e entre 6 a 18 meses após o parto. Acompanhem os resultados:

Gravidez e pré-natal

30% das mulheres tiveram gestação atual indesejada;

9% não ficaram satisfeitas em terem engravidado;

2,3% tentaram interromper a gestação;

60% do total das gestantes iniciaram seu pré-natal tardiamente (após a 12ª semana de gestação) e 25% dessas não passaram pelo mínimo recomendável de 6 consultas de pré-natal;

59% das entrevistadas foram orientadas sobre a maternidade de referência para internação (essa orientação é lei desde dezembro de 2007 - Lei Nº 11.634);

Quase 20% tiveram que procurar maternidade na hora do parto aumentando riscos para mãe e bebê (causas: falta de médicos, material e equipamentos).

Parto

O SUS arcou com o pagamento de 80% dos partos (pública ou mista) e apenas 20% dos partos foram realizados em maternidades privadas;

Cesarianas: 52% do total (a recomendação da Organização Mundial de Saúde é de que somente 15% dos partos sejam realizados por meio de procedimento cirúrgico);

Índice de cesarianas em maternidades privadas: 88%;

Cerca de 1.000.000 de mulheres são submetidas a partos cirúrgicos mal indicados por ano, aumentando riscos para a mãe, para o bebê trazendo, junto com isso, mais custos consequentes a essas indicações;

19% dos partos foram em adolescentes e entre essa 42% foram partos cirúrgicos;

Entre as adolescentes, mais de 2/3 estavam em atraso escolar ou fora da escola, eram de classes D e E, com mais dificuldades de acesso ao pré-natal adequado e ao número mínimo de consultas;


Por Vila Mulher

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