Beijo gay em desenhos animados influencia a sexualidade das crianças?

Veja aqui como conversar sobre homossexualidade com os filhos e saiba mais sobre a influência da TV nas crianças
Ruby e Safira

Casal do mesmo sexo Ruby e Safira do desenho Steven Universe. (Foto: Cartoon Network)

Nós já falamos aqui da nova iniciativa das indústrias de desenhos animados de colocar mais diversidade nos desenhos, não é mesmo? Depois do polêmico beijo entre personagens da Disney , uma série de pais ficaram um tanto quanto preocupados quanto ao conteúdo dos cartoons.

Afinal, um beijo entre personagens teria o poder de moldar a sexualidade de alguém? Os beijos, casamentos e romances em desenhos estão antecipando os desejos sexuais dos pequenos? De quem é a responsabilidade de educar?

Para esclarecer esses e outros pontos, a Psicóloga Ana Carolina Perez, do Psicólogos Berrini, solucionou algumas dúvidas dos pais. Confira abaixo a entrevista na íntegra:


1. Qual o impacto dos desenhos com romances na vida das crianças?

O impacto não pode ser medido de maneira generalizada, afinal cada criança tem características específicas, e a maneira como a família vai ajudar a criança a interpretar as cenas que eles assistem nos desenhos é fundamental. De maneira geral, podemos dizer que a cultura tem sim grande impacto na formação de nossa personalidade, como afirma o autor Henrique Hattner: “A cultura configura e determina o curso de nossas vidas, sem necessariamente refletir nosso pensamento consciente”.

2. Cenas homoafetivas retratadas em desenhos podem comprometer a sexualidade da criança?

Na infância e adolescência, é normal que os filhos manifestem curiosidade pelo tema e até mesmo pelo comportamento homossexual. A cultura e os desenhos podem favorecer a curiosidade, a identificação e até mesmo o desejo sexual, portanto o papel da família é indispensável no sentido de ajudar os filhos a compreender a diferença entre curiosidade, identificação e desejo. 

3. Como abordar a homossexualidade com os filhos? Qual a diferença entre educar e "incentivar"?

O ideal é abordar assim que o filho manifesta curiosidade sobre o tema, e isto pode variar de acordo com o tempo de cada um. O assunto pode então ser abordado aos poucos, à medida que o pai percebe maturidade no filho para lidar com o tema.  A intenção é conscientizar. Educar significa ensinar, e em um sentido mais amplo, está relacionado a socializar, ou seja, transmitir hábitos que capacitem o indivíduo a viver em sociedade. Incentivar significa encorajar e estimular. 

4. Como responder perguntas sobre o tema LGBT para as crianças?

De maneira natural. Os pais são as pessoas mais indicadas a responder as perguntas sobre sexualidade, pois “terceirizar” esta responsabilidade para outros ambientes, como escola por exemplo, pode levar à respostas genéricas e menos especificas, deixando de considerar as particularidades de cada criança ou família. 

Ruby e Safira

Personagens homoafetivos retratados pela Nickelodeon. (Foto: Cartoon Network)

5. Qual sua dica para os pais que estão se preocupando com a sexualidade da próxima geração?

A orientação é o melhor caminho, e para tal é necessário que a família invista em muito diálogo dentro de casa. A tendência é que os próprios pais transmitam aos filhos seus valores, moral e ética, portanto é necessário que a família faça uma auto avaliação a respeito de qual a base que vai querer transmitir aos filhos.

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