Síndrome do bebê sacudido

Síndrome do bebê sacudido

Quando dizem que todo cuidado com bebês é pouco, ninguém esta exagerando. A maioria dos pais não sabe, mas mesmo sem querer, pode causar uma lesão grave em seus pequeninhos apenas por chacoalhá-los. O nome disso? Síndrome do Bebê Sacudido - Shaken Baby Syndrome (SBS), originalmente.

"Shaken Baby é uma síndrome caracterizada por um impacto violento da cabeça, que pode trazer danos cerebrais permanentes, até retardo mental", explica a pediatra Heloísa Ionemoto, do Hospital Infantil Sabará, em São Paulo.

A maior incidência de casos ocorre na faixa dos quatro a seis meses, quando o bebê ainda está extremamente frágil, bem "molinho" mesmo. "É quando o cuidador ou pais tem mais facilidade em chacoalhar o bebê", comenta a médica.

Normalmente a lesão acontece quando a pessoa que está olhando pelo bebê perde a paciência com muito choro e esperneio constantes - muito normais nessa fase da criança - e sacodem o pequeno como se isso fosse fazê-lo se calar.

Esse movimento brusco pode provocar a lesão, que se permeará pelo resto da vida. "O mecanismo de lesão se dá por aceleração e desaceleração da cabeça. Esse movimento violento faz com que pequenos vasos se rompam, levando a uma hemorragia subdural - nos espaços entre as membranas cerebrais, inchaço ou edema e hemorragia na retina", esclarece a especialista. Estes movimentos bruscos podem causar ainda cegueira e outras lesões oculares, surdez, fraturas em ossos, paralisia cerebral, deficiência mental e até morte.

Recentemente foi lançado um projeto, na Faculdade de Medicina da USP, em São Paulo, que envolve a orientação de pais, educadores, profissionais de saúde para a prevenção desse tipo de maus tratos aos bebês. A iniciativa conta com a criação de materiais educativos na Austrália por uma equipe liderada por Sue Folley e que foram dublados em português e adaptados para a realidade brasileira. Esse material será distribuído em maternidades, para populações de risco e outros interessados.

O lançamento ocorreu em novembro em todo o Brasil, por meio da Rede Universitária de Telemedicina, em conexão nacional com mais de 15 universidades via videoconferência, além de Portugal e Moçambique.

Isso porque essa prática é mais comum do que pensamos e sim, é considerada maus tratos à criança. O mais importante é que, não adianta falar que o bebê caiu sozinho. "Essas lesões não podem ser explicadas por uma simples queda da criança, como muitas vezes aparece na história contada por quem cuida do bebê", adverte Heloísa.

Em entrevista para o Children’s Trust Fund, fundação americana criada especialmente para proteger crianças de maus tratos, os McGinnis - casal americano que teve uma das filhas com a síndrome - relatam como a bebê sofreu os danos cerebrais: através de um chacoalhão de uma babá. A menina nunca mais se recuperou. Kelsey, a filha com a síndrome, tinha apenas sete semanas e meia quando adquiriu o retardo.


Casos como esse acontecem todos os dias. Portanto, nunca deixe seu pequenino com alguém que não seja experiente, paciente e de confiança. Isso pode custar caro. O site Observatório da Infância (www.observatoriodainfancia.com.br), idealizado pelo pediatra Lauro Monteiro, pode esclarecer dúvidas sobre esse e outros abusos.

Por Tissiane Vicentin (MBPress)

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