Sentir ciúme do bebê com os outros é normal?

Nove meses dentro da barriga e de repente chega o grande dia do nascimento. Quando a mãe, finalmente, tem o filho nos braços sente uma emoção e uma alegria tão grandes que muitas vezes ela não quer deixar que outras pessoas segurem o pequeno no colo. Mas é inevitável. Todos querem paparicar e mimar o pequeno como se fosse o novo "reizinho" da casa e a mãe é movida por um sentimento: o ciúme.

Segundo a psicóloga Paula Pessoa Carvalho, esse sentimento surge na mãe, porque durante o período da gestação ela cuidou do feto para que ele nascesse saudável e assim que este vem ao mundo, ela tende a dar continuidade a esse mesmo cuidado. Porém, ao perceber que o filho não depende somente de seus cuidados ela começa a ser movida pelo desejo de não deixar que ninguém se aproxime.

Esse sentimento é considerado normal até certo ponto, como explica Paula: "Pode acontecer dela ter um sentimento de posse sobre o bebê e querer dar uma atenção e cuidado exclusivo para a criança". E completa: "A mãe deve entender que esse sentimento de ciúmes e de posse não deve continuar, pois a criança não sofre ao entrar em contato com outras pessoas", comenta.

Paula ressalta que a mãe deve compreender e ficar feliz que o novo bebê é amado por todos. Além disso, o lugar dela de mãe está reservado e jamais mudará. "É normal que as pessoas próximas queiram participar deste momento. Não precisa temer que o filho não tenha o mesmo cuidado no colo de outras pessoas como tem no dela".

A psicóloga afirmou que quando a mulher é envolvida com esse sentimento, precisa receber o carinho e apoio da família para compreender que a criança não é uma posse. "É importante também respeitar os limites impostos pela mãe, afinal ela sabe o que é melhor para seu filho", conta ela. "A família pode contribuir respeitando a mãe e passando confiança para a mesma. Assim que a mãe se sentir mais segura, ela não será mais dominada por esse sentimento", acrescenta Dra Paula.

"Confesso que senti ciúme quando ela nasceu"

Para quem pensava ciúmes dos filhos é sentimento único das mães, um aviso: os pais também são ciumentos. Muitos não assumem, mas é bem comum confundir o amor com a possessividade.

Ciumento assumido e pai de uma menina de três anos, o vendedor Caio Melo, também criador do blog "Pais Modernos", disse que a maioria das pessoas não se abrem porque sabe que não é algo bonito e correto. "É como se assumir fosse a denúncia de um vício", diz ele.

Ele contou que nunca foi ciumento com as namoradas e muito menos com a esposa, mas com a filha tudo foi diferente. "O desejo é tanto de ser um bom pai, de criar logo um vínculo com aquele serzinho, que ao ver outra pessoa relacionando-se com ele, surge essa sensação", descreve Melo.


Para o vendedor, se o pai tem ciúme quando alguém faz algum tipo de brincadeira ou atividade com a criança, participar dela pode diminuir a sensação. "Não acredito que algum grau de ciúme possa ser benéfico para qualquer tipo de relação. Quando um relacionamento é pautado em cuidado sem possessividade, o tom de liberdade cria um vínculo sem algemas ou amarras", comenta ele.

O blogueiro relata que, conforme a filha foi crescendo, o ciúme foi diminuindo. Para ele, quanto mais compartilhava brincadeiras com a filha, menos ciúme sentia. "É como se nossa cumplicidade enviasse a mim o recado de que não importaria o que nos acontecesse, sempre teríamos essa relação mágica de pai e filha", finaliza Caio Melo.

Por Stefane Braga (MBPress)