Rejeição: caso das trigêmeas

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Rejeição caso das trigêmeas

O caso dos pais de trigêmeas, no Paraná, que após tratamento para engravidar, e diante do nascimento das trigêmeas, rejeitaram uma das crianças - já que só tinham a intenção de ter dois filhos - assustou muito gente.

As meninas foram entregues ao Conselho Tutelar de Curitiba, supostamente em razão de rejeição por parte da família. A intenção do casal era ter somente dois filhos e, segundo informações de funcionários da maternidade onde os bebês nasceram, como o pai pretendia deixar uma para adoção, o Ministério Público foi acionado e conseguiu uma liminar judicial colocando todas sob a tutela do Estado.

O caso está sob segredo de Justiça, mas um funcionário do hospital que não quis se identificar contou a imprensa que já no momento do parto o pai disse que levaria somente duas e que a direção fizesse o que bem entendesse. Médicos e psicólogos tentaram convencer os pais a aceitarem todas as crianças, mas não tiveram sucesso. As três meninas permaneceram por um mês na maternidade, embora já tivessem condições de serem levadas para casa com dez dias de vida.

Mas o que pode explicar um comportamento como esse? A psicóloga Luciana Leis, especializada no tratamento de casais com problemas de fertilidade, explica que primeiramente é necessário esclarecer que nem todos os casais que se propõem a ter um filho realmente o desejam, embora, eles próprios acreditem que sim.

"As vezes desejo de ter um filho também está vinculado às nossas necessidades de satisfação narcísica, ou seja, de poder ver na criança nossos traços, desta ser um representante da continuidade de nós mesmos, reafirmação de nossa feminilidade, de podermos corresponder às expectativas de nossos pais que aguardam por um neto, dentre muitas outras razões. Quando o desejo de satisfação narcísica se sobressai ao desejo de querer cuidar e conviver com ela, podemos questionar se realmente existe um verdadeiro desejo por um filho. Não conheço os pais das trigêmeas, portanto, não tenho como afirmar se realmente eles desejavam ter filhos".

De acordo com Luciana, outra consideração que precisa ser feita, a partir desse acontecimento, é o quanto um casal pode lidar com o fato da maternidade e da paternidade serem "diferentes da forma como eles idealizaram", e, assim, poderem aceitar essa nova realidade: três bebês, ao invés de dois.


O que poderia ter evitado o problema, de acordo com a psicóloga, é que o casal tivesse tido um tratamento psicoterápico desde o início do tratamento de reprodução assistida. "Assim, teriam tido a chance de refletir melhor a respeito da maternidade e da paternidade, bem como sobre as implicações que esses tipos de tratamentos trazem consigo, muitas vezes, esperadas, como também inesperadas". Apesar de tardio, o suporte ainda é o que pode solucionar o caso. "O suporte psicológico os auxilia a amadurecerem para o papel de pais, ajudando-os a lidarem melhor com acontecimentos que não idealizaram", conclui Luciana.

Por Larissa Alvarez

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