Reflexos nos primeiros dias de vida

Reflexos nos primeiros dias de vida

O seu filhote acaba de chegar ao mundo. Depois de passar meses na barriga da mãe, no confortável mundinho que o organismo da mulher oferece, ele finalmente se depara com um novo universo. É hora de se adaptar.

Nos primeiros meses, os reflexos são lentos. Ao bater palmas, por exemplo, ele vai piscar forte. Enquanto o seu cérebro não se desenvolve totalmente - em média, do bebê recém-nascido tem entre 300 e 400 gramas, quatro vezes menos que o nosso, - as reações são puro instinto. Logo que ele nasce, já na maternidade, os médicos fazem exercícios importantes, uma forma de testar os reflexos do pequeno.

Conceição Campanário, neuropediatra do Hospital Infantil Sabará, explica que o teste do pezinho é um deles. "A partir deste, nós observamos doenças como fenilcetonúria, hipotireoidismo e anemia falciforme. Este teste pode ser feito de maneira ampliada para avaliar doenças comoaminoacidopatias, deficiência de biotinidase e deficiência de glicose-6- fosfato desidrogenase, todas estas podendo repercutir direta ou indiretamente no desenvolvimento neurológico. Também testamos as funções auditivas", explica.

Conforme a neuropediatra, nas primeiras consultas, os profissionais avaliam reações aos estímulos. "Reflexos primitivos, tônus cervical, se também há alguma assimetria de função motora ou envolvimento das funções auditiva e visual", acrescenta.

No caso dos bebês prematuros, as chances de se ter um seqüela neurológica são maiores, por conta do seu cérebro e vasos sanguíneos imaturos no nascimento. "Além disso, a própria imaturidade pulmonar leva a riscos maiores de complicações respiratórias, e conseqüentemente, condições de hipóxia e infecciosas. As lesões em sistema nervoso central, como leucomalacias, sangramentos e infecções são achados que podem estar presentes", comenta.

Uma das ações mais importantes logo nas primeiras semanas é o da sucção, que, junto com o choro, são vitais à sobrevivência e proteção dos bebês. "Por esta razão, no início o mais importante é garantir a boa nutrição da criança a partir do aleitamento materno, proporcionada pelo reflexo da sucção. Daí a importância de respeitar os horários de sono entre as mamadas, e, acima de tudo, dar tranqüilidade aos pequenos para que não interfira neste período essencial", ressalta a especialista. Também por isso que eles buscam a chupeta ou qualquer objeto para sucção. Já o choro é uma forma de comunicação, de mostrar que tem algo de errado.

Segundo a neuropediatra, outros reflexos também são imprescindíveis. Além da sucção, há também o piscar, o que mostra resposta ao estímulo visual. "Se isso não acontecer talvez seja um sinal da existência de algum comprometimento da via visual", alerta.

Os recém-nascidos também costumam agarrar os dedos da mãe com força. "O reflexo acontece nas mãos e pés". O da mão costuma desaparecer por volta do terceiro mês. E do pé continua até o sétimo ou oitavo mês. Quando o bebê está desequilibrado ou assustado, ele joga a cabeça para trás, estica as pernas, abre os braços e os fecha depois, trata-se do reflexo de moro, que desaparece no segundo ou terceiro mês.

Para avaliar os membros superiores e inferiores, o bebê é segurado pelas axilas. Ele deve erguer a perna e dar a impressão que está andando, mas isso logo desaparece no primeiro mês. Também ao se tentar fechar o pescoço, quando está deitado de barriga para cima, ele deverá flexioná-lo. "Esta resposta é muito pequena em um bebe recém-nascido e vai aumentando progressivamente com o aumento do controle cervical", esclarece a neuropediatra.


Sejam eles, prematuros, gordos ou magrinhos, os bebês precisam ser estimulados pelos pais de várias formas, para que entendam melhor como funciona esse novo universo a sua volta. Quanto mais toque e carinho, mais segurança eles vão sentir, e se desenvolverão com mais saúde.

Por Juliana Lopes

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