Papo de Mãe, com Mariana Kotscho

Papo de Mãe com Mariana Kotscho

Mariana Kotscho com o filho André.

Quando uma mulher se torna mãe, às vezes o sentimento de largar tudo e se dedicar totalmente as criaturinhas que acabaram de chegar ao mundo é bastante forte. Com a jornalista Mariana Kotscho não foi diferente. Depois de 12 anos como repórter na TV Globo, e do nascimento dos três filhos, Laura, Isabel e André, em dezembro de 2007, ela resolveu de vez acabar com o conflito entre filhos e carreira, mas de uma forma diferente.

"Foi difícil abrir mão abrir mão de um trabalho que eu gostava de fazer, mas que precisava também. Não seria justo com o meu marido, Fernando Ansarah, toda essa responsabilidade de sustentar a casa. Mas descobri que é possível sim a gente abrir mão de algo, e descobrir outras coisas. Então decidi inverter o jogo. Ao invés de organizar a vida delas em função do meu trabalho, passei a organizar o trabalho em função dos pequenos".

Foi aí que surgiu a ideia de um programa independente e com um assunto que a deixaria ainda mais próxima dos filhos, o Papo de Mãe, que estreou em setembro, na TV Brasil, e exibido todas as quintas-feiras, com reprises ao longo da semana e pela internet (www.tvbrasil.com.br). No estúdio, entrevistados, entre elas Içam Itiba, mães e seus filhos, além de todo equipe interagem entre sim, com um único objetivo: trazer ainda mais informações para saúde e educação dos pequenos. Em entrevista ao Vila Filhos, a jornalista, primeira contratada pela Globonews, conta mais sobre o programa e a difícil missão de ser mãe hoje em dia.

Enquanto estava na Globo, quais foram as principais dificuldades em conciliar o trabalho e os filhos?

Chegava atrasada no trabalho por causa das crianças, e na escola delas por conta do trabalho. A vida de repórter é muito sem rotina, sem previsão. Um dia entrava às cinco da manhã e tinha que repensar a rotina das crianças, e no dia seguinte entrava às cinco da tarde, uma loucura. Repórter pode não ter rotina, mas a criança precisa. Mudei o rumo da minha carreira, mas não deixei de ser jornalista, nem de trabalhar.

Em um dos primeiros programas, você abordou o assunto parto. Você teve alguma complicação na gravidez ou mesmo durante o parto? É a favor do parto normal?

Sim, infelizmente os meus três partos foram cesarianas. Na minha primeira gravidez tive muitas complicações. Entrei em trabalho de parto prematuro antes de 34 semanas de gestação e fiquei internada. A partir de então foi necessário monitorar o bebê quase que diariamente até constatar a diminuição de oxigenação e a necessidade de fazer o parto de emergência. O mesmo se repetiu das outras vezes, mas por conta do envelhecimento precoce da placenta, que determinou o nascimento das crianças. Hoje dou graças a deus por ter exames tão precisos que detectaram esse risco. Infelizmente conheço pessoas próximas que tiveram envelhecimento precoce da placenta. O médico não tomou a decisão necessária e o bebê acabou morrendo ainda na barriga da mãe. Por isso, apoio todas as que defendem o parto normal. Claque se existe risco para mãe e bebê, não se deve insistir no parto normal, cabe aos médicos bom senso de não forçarem uma cesária, digamos, "desnecessária".

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E a questão do parto em casa, você chegou a abordar no programa?

Histórias mais diferentes ou inusitadas se tornam sempre mais interessantes, como a da Renata Budóia, que decidiu ter o bebê em casa dentro de uma banheira inflável. Ela contou com a ajuda do marido no trabalho de parto. O caso da Cristiane também me chamou atenção. Ele foi feito em casa, na periferia da Zona Leste de São Paulo por policiais que estavam no local investigando um desmanche de carros, e eles tinham as imagens emocionantes do parto dela.

No início, qual era a sua intenção para o programa?

Eu tinha uma ideia mais tímida, de fazer algo mais simples com apenas duas câmeras e um Buffet infantil como cenário. Depois que apresentei o projeto ao Vando Mantovani, da produtora Renalcam, ele adotou o Papo de Mãe na hora e me convenceu de que seria possível fazer um super produção, não apenas com mais conteúdo e sim, qualidade técnica. A cada programa são três mães convidadas com seus filhos e dois ou três especialistas. Também participam o Ricardinho (Ricardo Corte Real), e a boneca Sapeca (Janaina Moura) que ficam com as crianças, além do cinegrafistas Maria Cândida e Almir Padial, os nossos palpiteiros.

Você se dedica diariamente ao programa?

Sim, além da apresentação também eu a Roberta Manreza, outra apresentadora, conversamos por telefone e e-mail com toda equipe, também com a Rosângela Santos (repórter que também esteve na TV Globo). As gravações externas acontecem de três a quatro vezes por semana e no estúdio acontecem em média a cada 35 ou 40 dias. Em três dias gravamos seis programas.

Antes de ser mãe ou trabalhar no programa, quais reportagens sobre esse tema mais te envolveram?

Como repórter de rua durante 18 anos eu conheci a realidade a as histórias de muitas mães por todo Brasil. Tive a oportunidade de viver dois anos no Ceará e conhecer todo sertão brasileiro, mães que vivem em lugares onde nunca nem ouviram falar sobre pré-natal. Mães que perderam os filhos por causa da desnutrição, que nem tem água para dar à criança.

Mesmo saindo da reportagem de rua, você conta com a ajuda de alguém para cuidar da criançada?

As principais babás dos meus filhos são minha avó, de 85, e minha mãe. Se que posso contar com elas faça chuva ou sol. Uma das nossas entrevistadas disse que as mulheres precisam criar uma "rede de ajuda". A minha se completa com o meu marido, minha irmã, meu cunhado e minha tia, sempre muito próximas e prontas a ajudar. Tenho moças que trabalham aqui em casa. Eu e Fernando curtimos muito cuidar dos três: dar banho, comida, atenção, fazer dormir. Acredito que pai e mãe devem colocar a mão na massa. Rubem Alves disse uma vez em uma entrevista: como educar seus filhos da melhor maneira? Conviva com eles!


E com o programa, como está a sua rotina?

Achei que fosse diminuir o ritmo quando sai da Globo, pura ilusão, apenas mudei o ritmo. E acabei descobrindo um bom turno para trabalhar: das 11 da noite às 04 da manhã, quando a casa está em silêncio. Enquanto escrevo meus textos, meus roteiros ou vejo as fitas com as gravações para o programa, mando e-mail para outras mães e já descobri muitas delas trabalhando no computados neste horário. Quando tenho que gravar no estúdio no fim de semana, levo meus filhos junto assim como as outras pessoas que trabalham ou participam do programa como entrevistadas.

Por Juliana Lopes

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