Pais também podem ter depressão pós-parto

Pai também pode ter depressão pósparto

A gravidez é um momento mágico na vida de um casal. A arrumação do quarto, a compra dos primeiros brinquedos e móveis, as imagens dos exames de ultrassom. Tudo fica bem guardado na memória. Mas depois que o bebê nasce o mundo dos sonhos passa a dar lugar às responsabilidades e nem sempre os pais estão preparados para suportá-las.

E justamente nesse momento pode surgir a chamada depressão pós-parto. Segundo as estatísticas, esse problema atinge cerca de 15% das mulheres. Mas não pense que os homens estão ilesos. A psicóloga Cynthia Boscovich conta que a dependência absoluta do bebê, a dor de se sentir preterido pela esposa e a carga de responsabilidade após a chegada do bebê podem ser fatores desencadeadores da depressão nas figuras paternas.

"São várias as causas que levam o homem à depressão no período pós-parto. O que se sabe é que o nascimento do bebê pode mobilizar muitas questões internas e primitivas nas pessoas e o homem (pai) não está livre disso", comenta. A psicóloga ressalta ainda que as mudanças podem culminar apenas em tristeza e não em uma depressão.

"É importante diferenciar. A tristeza faz parte da vida e acontece por inúmeros fatores, porém, regride espontaneamente. Vivemos numa sociedade que repudia a tristeza, por isso, muitas vezes é difícil lidar com ela. Já a depressão é uma doença e precisa ser tratada. A pessoa fica incapacitada de viver, seu dia a dia fica comprometido e prejudicado", explica.

Entre os sintomas de depressão, que perduram por mais de duas semanas, estão humor deprimindo e perda do interesse e prazer pelas coisas. O homem também pode apresentar alteração da libido, diminuição ou aumento de peso, alterações do sono (muito sono ou insônia), irritabilidade, sentimento de inutilidade ou culpa, cansaço ou perda de energia, dificuldade de concentração, ansiedade, choro fácil, dores e pensamentos recorrentes sobre morte ou idéias suicidas.

Nos primeiros meses de vida do bebê, o cenário esperado dentro de casa é a mãe atendendo integralmente às necessidades do filho e o pai dando toda a assistência e segurança para a esposa. Com a depressão do homem, o ambiente passa a ser abalado por preocupações, angústias e ansiedades, alterando, inclusive, a saúde psíquica do bebê.

"A mulher pode ajudar o companheiro incluindo-o nas atividades com o bebê. Mas isso não é regra, pois, às vezes, o marido não consegue conviver com o filho e forçá-lo a isso pode até piorar o quadro", comenta Dra. Cynthia. "A melhor forma mesmo é conversar com cautela sobre a necessidade de uma ajuda profissional, que inicialmente melhora os sintomas de depressão e depois motiva o paciente a tomar posse de seus papéis de homem, pai e marido."


Não existe um tratamento padrão para a depressão pós-parto masculina. Em alguns casos, o problema é resolvido apenas com terapias. Em outros mais graves, o uso de medicamentos, receitados pelo médico (de preferência psiquiatra) devem ser incluídos no processo. "Vale ressaltar que os dois tratamentos (médico e psicológico) se complementam, sendo que um não exclui a importância e eficácia do outro.

Por Juliana Falcão (MBPress)

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