Pais de bebê sem gênero explicam a decisão: 'Não impomos nada'

Os pais acham que é muito cedo para definir se o bebê é menino ou menina. Qual a sua opinião?
bebê não binário

Foto: Reprodução/OGlobo

O filho de Taynan Carneiro, de 18 anos, e Yudi Luiz Santos, homem transgênero, de 25 anos, conforme o entendimento do casal, ainda não tem gênero. Ele é apenas um bebê. Eles decidiram que a criança recém-nascida, Ariel, decidirá o seu gênero quando achar melhor. O jovem veste roupas de cores neutras, brinca com brinquedos considerados para meninos e para meninas, como carros e bonecas. Os pais dizem que é apenas um bebê. As informações são do Diário de Pernambuco.


Taynan explica que por vezes se referem à criança como "lindo" e "linda", sem correções por parte dos pais. Ela diz entender que é um padrão cultural, que tende ao binarismo. Ela confessa que também usa muitas vezes o pronome masculino por força do hábito. O nome da criança, Ariel, foi escolhido por ser neutro. A sugestão do nome veio de André dos Santos, pai biológico da criança.

“Ariel é uma criança independente de qualquer coisa. O gênero vai ser uma escolha dele. Eu e o Yudi falamos isso desde o início da gestação. O pai biológico concordou”, alegou.

“Eu e Taynan somos militantes das causas sociais e, dentro dessa perspectiva, começamos a entender o que é a construção de gênero e essa proposta de criar o Ariel em um modelo em que ele se sinta livre, sem determinar roupas e brinquedos. Se é menino, menina ou não-binário, é algo que ele vai decidir, vai ser uma pessoa desconstruída de machismo desde pequena”.

Embora o casal esteja certo da criação que pretende dar ao bebê, os pais estão sendo alvo constante de comentários ofensivos de internautas. “Estou em choque por causa dos comentários negativos. A sociedade tem que abrir a mente, é uma coisa de construção. Deixa a criança viver, ser feliz. Ele não precisa de um gênero para ser uma criança".

“Não impomos nada. Ele é um menino, imposto pela sociedade, da forma como foi registrado. Mas, se mais à frente, ele decidir que não é menino, é uma decisão dele. A gente enxerga com a mente muito aberta”, disse.

Para Yudi, a forma como a maioria das pessoas define masculino e feminino, desde o princípio dos tempos, é equivocada: “Ele vai ver, por exemplo, um menino brincando de boneca e entender isso como algo normal. Eu também não tive imposições, brincava de bola, de tudo. Mas, sendo um homem trans, eu sei das dificuldades que passo no dia a dia para que minha dignidade de homem seja respeitada”, afirmou.

No Dia dos Pais, Yudi se manifestou no Facebook. "Ser PAI vai muito além da genética, tipo sanguíneo e mais além ainda de um papel de registro", escreveu.  

Qual a sua opinião sobre o não binarismo para bebês?

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