Mito da mãe perfeita não existe

Mito da mãe perfeita não existe

Duras críticas ao mito da mãe perfeita foram publicadas no artigo "Mother Madness" de Erica Jong, no jornal Wall Street Journal, em abril deste ano. A autora diz que obras como "O Livro do Bebê", considerada uma bíblia quando o assunto é cuidado com os filhos, tornam as mulheres prisioneiras de seus filhos.

"A mulher mudou, está mais livre, mas os valores da sociedade continuam os mesmos. Há mães que lidam de forma tranquila com o fato de não conseguirem se dedicar integralmente aos filhos, mas a maioria se sente culpada por deixar os filhos sob os cuidados de alguém", afirma a psicóloga Olga Tessari.

Olga concorda com as palavras de Erica. "É por isso que muitas mães passam boa parte do dia ao telefone querendo saber se o filho almoçou, se já fez a lição. Mesmo fora, ela ainda acha que é responsabilidade dela cuidar dos filhos. O pai está mais presente nessa função, mas mesmo assim ela faz questão de supervisionar o desempenho dele", comenta.

O risco de tentar atender ao perfil da mãe perfeita é que a mulher passa a viver tanto para o filho que quando chega aos 40, 50 anos, os filhos seguem suas próprias vidas e ela passa a sofrer de problemas físicos e psíquicos, como depressão e ansiedade. "Isso acontece com frequência, porque a mãe se esqueceu de cuidar de si mesma", diz a psicóloga.

Outro ponto negativo é que a mãe perfeita corre o risco de criar filhos dependentes demais. "Eles são mimados e protegidos de todas as formas. Assim, ele não aprende a se defender e ao ouvir um ‘não’ fora de casa não sabe como lidar", alerta. "O sofrimento faz parte da vida e a proteção excessiva pode tornar os filhos dependentes e infantis e isso é uma porta para o envolvimento com drogas", conpleta.

Na contramão da mãe perfeita está aquela que cuida somente da aparência e deixa a educação a cargo da escola. Como não encontra tempo para impor limites, sente-se culpada e tenta compensar dando tudo o que os filhos querem, pagando viagens, dando brinquedos e roupas. Mas mal sabe ela que este tipo de atitude só a afasta dos filhos.

"A mãe perfeita é uma ilusão. O mais correto é ela aprender a conviver com seus filhos, nem que seja 15, 30 minutos por dia. Às vezes é preciso deixar a louça e a roupa um pouquinho de lado e, quando estiver com os filhos, torná-los prioridade", sugere.


Olga também lamenta que hoje as casas se transformaram em verdadeiros hotéis. Pais e filhos não conversam. A mãe fica na cozinha preparando o jantar e quando os chama cada um faz seu prato e vai comer em outro local reservado. "Por conta da falta de convivência de criação de laços, esses mesmos filhos vão embora e não zelam pela mãe quando ela fica mais velha."

Por Juliana Falcão (MBPress)

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