Mãe mora seis meses no hospital para ficar próxima das filhas

Mãe mora seis meses no hospital

Lucineide segura suas duas filhas: no braço direito está Yasmin, no esquerdo Sophia. Na época da foto os bebês tinham seis meses.

No decorrer da gestação o corpo e a mente da mulher são preparados para receber o bebê que irá nascer. A cada dia a futura mamãe fica mais capaz de zelar pelo seu filho. Porém, em casos especiais, algumas mães e filhos acabam lidando com algumas dificuldades, entre elas está a de desenvolver a capacidade de se adaptar a viver em hospitais, quando o bebê necessita de internação.

Lucineide Madeira Rosa, 45 anos, é mãe das gêmeas Yasmin e Sofia. Os bebês, de dez meses, nasceram com rins policísticos. Por conta da doença as duas tiveram que permanecer internadas em um hospital. "Durante o pré-natal eu fiz um ultrassom morfológico. No exame foi apontado que as minhas filhas nasceriam com um problema nos rins", lembra Lucineide. A partir deste momento começou a espera ansiosa desta mãe pelas suas filhas, ela já tinha um filho de 18 anos.

Após o nascimento de Yasmin e Sofia, Lucineide viu sua vida ser transformada pelo amor que só uma mãe é capaz de sentir. O diagnóstico de rins policísticos foi confirmado e o tratamento iniciado. As duas irmãs deram entrada imediata na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). Lá Yasmin passou dez meses e teve alta recentemente. Sofia, porém, teve que permanecer algum tempo mais e continua internada na ala pediátrica do hospital.

Sobre a adaptação à rotina do hospital, Lucineide conta que desde que ela soube que as filhas nasceriam com essa doença sua vida mudou. As mudanças formam maiores após o nascimento. "Eu tive que migrar da minha casa para o hospital", desabafa a mãe. Lucineide deixou seu trabalho como babá para se dedicar exclusivamente às suas filhas. "Enquanto elas estavam internadas na U.T.I. eu morei no alojamento para mães dentro do hospital. Passei meses dormindo em poltronas, almoçando, jantando e tomando banho", conta.

A mãe das meninas lembra que este foi, e ainda está sendo, um período difícil. "Não é fácil quebrar sua rotina e viver em um lugar diferente, com pessoas diferentes. Fiz isso por amor às minhas filhas", desabafa. Com um mês de vida, Sofia e Yasmin colocaram os cateteres para começarem a diálise peritoneal. Neste período as crianças permaneceram na U.T.I., onde ficaram até aos seis meses de idade.

"Lá eu não tinha muito contato com as minhas filhas, podia só fazer visitas rápidas", conta Lucieide. Ainda assim, a mãe não quis sair do lado dos bebês. Foi no alojamento da Unidade de Tratamento Intensivo que a mãe dos bebês conheceu outras mães com histórias e angústias como as suas. "Formamos uma grande família", diz. Quando Yasmin e Sofia passaram para o Centro de Pediatria, Lucineide pode participar mais dos cuidados com as filhas e, por exemplo, passou a dar banho nos bebês.

Aos dez meses de vida, Yasmin teve alta do hospital e passou a receber o tratamento em casa. Ela continua fazendo diálise peritoneal todas as noite, em casa, com os cuidados da mãe. "Eu instalo a Yasmin na máquina todas as noites, e desligo pela manhã. São dez horas de diálise todas as noites", revela a mãe. Sofia segue internada, sem previsão de alta. "Está difícil dividir o tempo entre as duas filhas. Sempre que dá vou ao hospital ficar com a Sofia. Mas a Yasmin também é só um bebê e precisa de cuidados especiais", diz Lucineide. A mãe diz que sua missão é difícil, mas não impossível.

Elas receberam os cuidados da Fundação do Rim. A instituição oferece aos pacientes e familiares todo apoio emocional e carinho que necessitam, são mais de 200 atendidos. A realização desse trabalho é possível graças à dedicação de sua equipe, formada por duas diretoras, duas assistentes sociais, uma auxiliar administrativa e duas voluntárias. A Fundação do Rim atua no estado do Rio de Janeiro, com sede em Botafogo.


Ao se lembrar do hospital Lucineide diz só ter lembranças boas. "Nunca fiquei desamparada, todo o apoio que eu recebi veio da equipe do hospital", afirma. A mãe contou com apoio psicológico e de assistentes sociais. "Se minhas filhas estão vivas é graças a Deus e aos nefrologistas", desabafa. As meninas irão seguir com a diálise, enquanto o tratamento estiver sendo eficiente elas não terão que se submeterem a um transplante de rins.

Lucineide lamenta ao se lembrar do pai de Yasmin e Sofia. O casamento chegou ao fim recentemente. "Depois que tive os bebês ele me deixou. Foi embora de casa. Só tive notícias dele dois meses depois", lembra. "Quando eu mais precisei dele, ele me abandonou."

Por Bianca de Souza (MBPress)

Comente