Mãe canguru: contato de amor que salva vidas

Mãe canguru contato de amor que salva vidas

Foto: cultura/Corbis

Durante muitos anos os bebês que nasciam prematuros ficavam isolados da mãe. Mas, felizmente, essa barreira foi destruída em 1979. Os médicos Héctor Martínez e Edgar Rey Sanabria (que morreu em 1996) implantaram o Método Mãe Canguru e, pelos resultados, puderam notar o quanto a presença materna é importante quando o que está em xeque é a sobrevivência de um filho.

Os benefícios do contato entre mãe e bebê prematuro fazem milagres e, às vezes, surpreendem os médicos. Um fato recente sobre publicado no "Daily Mail" é emocionante. A australiana Kate teve gêmeos prematuros, Jemmie e Emily, e o menino, pesando apenas 900 gramas, foi declarado morto pelos médicos. Eles o entregaram aos pais, Kate e David, para que se despedissem.

A mãe desenrolou o bebê do cobertor, colocou-o perto de seu peito e começou a falar com ele. "Dissemos a ele qual era seu nome e que tinha uma irmã", disse ao jornal. Após duas horas de conversa, toques e carinhos, o bebê começou a mostrar sinais de vida. A mãe colocou um pouco de leite materno no dedo, deu a Jemmie e ele começou a respirar.

Relatos como esses comprovam a eficiência e a importância do método canguru. Essa posição consiste em manter o bebê prematuro em contato pele a pele com os pais. Ele é colocado na posição vertical, junto ao tórax do adulto. A mãe, ao manter essa proximidade com o prematuro o ajuda a ganhar mais peso, reduzir o tempo de internação e o estresse tanto do bebê quanto dos familiares.

"No Hospital Universitário de Canoas os resultados com o emprego da metodologia têm reduzido muito o índice de infecção hospitalar, tendo as mães amamentado exclusivamente seus prematuros em mais de 70% dos casos após a alta", comenta Silvana Salgado Nader, coordenadora do programa Método Canguru no H U de Canoas, Rio Grande do Sul. A instituição recebeu o Certificado Referência Estadual do Método Canguru, sendo a única capacitada a fornecer o treinamento do método a todas as UTIs neonatais.

Para a prática do método o ambiente do hospital também precisa colaborar. O Gestor da Neonatologia do hospital, Paulo Nader, explica os cuidados a serem tomados: "Redução de ruídos e da luminosidade, respeito ao ritmo do sono do prematuro, permanência da mãe/pai o maior tempo possível (24h do dia), atendimento da família a nível multidisciplinar e incentivo à ordenha do leite (leite materno) e amamentação quando for possível."


Quanto mais contato a mãe tem como o bebê prematuro, mais segurança ela terá na hora de cuidar dele quando ambos já estiverem em casa. "Inclusive, esse programa de humanização do atendimento ao prematuro ajuda os pais a criarem um vínculo cada vez maior com o bebê", acrescenta Sandra.

Por Juliana Falcão (MBPress)

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