Leite em pó infantil x Leite materno

Foto: Emma Kim/Image Source/Corbis

Recentemente, um artigo publicado no site de uma importante revista direcionada às mamães causou polêmica ao dizer que a amamentação era uma "moda" e que o leite em pó seria uma solução muito fácil e prática de ser usada. E, apesar de todos sabermos que o leite materno é de vital importância, muito se questiona a respeito de quando o leite em pó infantil é indicado às crianças.

A enfermeira Márcia Regina Silva, que integra o Grupo de Apoio ao Aleitamento Materno (GAAM) do Hospital São Luiz, explica: "O leite em pó só é indicado pelos médicos caso a mãe não tenha condição alguma de amamentar sozinha, quando isso se torna uma impossibilidade. Do contrário, o leite materno é exclusivamente indicado até os seis meses de idade da criança".

Assim, quando o pediatra detecta em sua avaliação algum caso no qual a mãe não possa fazer sozinha a aleitamento da criança, uma alimentação especial é programada. Mas, a princípio, toda mulher pode produzir leite em quantidade e qualidade para seus filhos.

Além disso, existe o fator biológico nessa história. O leite de vaca foi feito para alimentar os bezerrinhos, já o leite da mãe foi feito para alimentar aquele pequeno ser humano em formação, sendo assim, cada qual combina com seu igual. "Existem diferenças de valor nutricional entre o leite da mãe e o leite em pó. Independente da quantidade, o leite materno é mais biodisponível e é muito melhor absorvido pelo organismo da criança", conta a enfermeira.

Apesar de possuir mais proteína, o leite de vaca é menos compatível com o corpo do seu filho, sendo muito melhor o leite humano, uma vez que toda a proteína disponibilizada pela mãe será absorvida pela criança.

"Entre os benefícios do leite materno está seu alto valor nutricional. Ele ajuda no processo de digestão, na produção de substâncias imunológicas (coisa que o leite artificial não tem) e ajuda no desenvolvimento da arcada dentária do bebê", diz Márcia. Já para as mamães, o aleitamento ajuda a perder os quilinhos adquiridos durante a gravidez, ajuda no processo de contração do útero, protege contra câncer de mama e ovários, além de ser ótimo para que mãe e filho criem o vínculo que os ligará para sempre.


Bancos de leite materno

Mas se você, mamãe, não quer usar o leite em pó infantil, ainda existe uma ótima opção: os bancos de leite humano. O Ministério da Saúde tem a Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano (http://www.redeblh.fiocruz.br) que possui registro e localização de todos os bancos brasileiros e indica o que está mais perto de você.

Ao todo, na rede, são 213 bancos, 120 postos de coleta, totalizando 333 unidades de apoio e captação de leite. E, além de coletar, preservar e distribuir o leite de mamães muito solícitas para aquelas que não podem produzir mais, esses bancos ainda fornecem ajuda às mulheres para que consigam amamentar corretamente, ensinam técnicas para ordenhar, produzir mais leite e, até mesmo, voltar à produção quando a lactação já cessou.

* Serviço: Márcia Regina Silva, enfermeira do Grupo de Apoio ao Aleitamento Materno (GAAM) do Hospital São Luiz.

Por Juliany Bernardo (MBPress)