Fórmula pode beneficiar amamentação em longo prazo

Fórmula pode beneficiar amamentação em longo prazo

Foto: Mike Kemp/Tetra Images/Corbis

Durante os primeiros dias após o parto é normal o bebê perder entre 6% e 10% do peso que tinha ao nascer. A maior parte do peso perdido se apresenta na forma de água extra do corpo. Para as mulheres que forem amamentar, o leite começa a descer nesse período. É o colostro (primeiro leite), extremamente rico em proteínas e sais minerais, que sustenta o bebê enquanto o volume do leite aumenta.

A médica pediatra Thatiane Mahet conta que raramente o leite materno não é suficiente para engordar uma criança recém-nascida. "As mães que optam por cesariana sem entrada em trabalho de parto demoram a ter a descida do leite e, consequentemente, a evolução do colostro para o leite maduro. Entretanto, atualmente existem medicações que podem auxiliar a descida do leite."

A Organização Mundial de Saúde (OMS) fez um estudo com 40 bebês que perderam mais de 5% do peso nos primeiros dias de vida e reforçou a ideia de que o aleitamento materno exclusivo para bebês de até os seis meses é o mais recomendado.

Os cientistas que realizaram essa pesquisa tiveram o intuito de desfazer o dilema entre usar a fórmula ou insistir no aleitamento exclusivo na fase inicial, enquanto o bebê não recupera o peso. Metade deles ingeriu 10ml de fórmula dada com a ajuda de uma seringa após cada mamada durante os primeiros sete dias. A outra metade continuou apenas com a amamentação, apesar da perda de peso.

Os resultados apresentados mostraram que entre os bebês que tomaram a fórmula precocemente, apenas dois precisaram dela após uma semana. Entre os que tiveram apenas a amamentação, nove dos 19 tiveram que usar fórmula após a primeira semana.

Com três meses, 15 bebês do primeiro grupo estavam sob amamentação exclusiva, comparado com oito do segundo grupo. A conclusão dos pesquisadores foi de que introduzir a fórmula antes do tempo pode reduzir a necessidade de seu uso a longo prazo e ainda contribuir para a amamentação exclusiva posteriormente.

Vale ressaltar que o uso de fórmula só é recomendado em casos muito específicos. "A fórmula pode ser a solução, mas deve ser muito bem avaliada pelo pediatra que acompanha a criança. Principalmente porque ela deve ser um método complementar e não de substituição da amamentação", afirma a médica. "O grande risco é que algumas vezes as mães ficam desestimuladas a amamentar e não colocando o bebê no seio a tendência é que a mãe produza cada vez menos leite", completa.

Muitas mães não sabem o que fazer e se apavoram quando o recém-nascido não ganha peso. Para reverter essa situação, a pediatra orienta: "Um mecanismo muito usado pelos pediatras é retirar o leite inicial em algumas mamadas e oferecer só a parte final do mesmo, que possui muito mais gordura do que a parte inicial, levando o bebê a engordar. Além disso, essa ação estimula a maior produção de leite pela mãe."


Tanto o leite maduro quanto o colostro são importantes para a saúde do bebê e possuem benefícios próprios. A Dra. Thatiane explica: "O colostro é um leite com mais anticorpos, que é o que o bebê precisa quando nasce e não engorda. O leite maduro apresenta, além de anticorpos, gorduras que auxiliam no ganho de peso. Mas cada leite é necessário para a fase do recém-nascido."

Por Thaís Santos (MBPress)

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