Fimose e circuncisão

Fimose e circuncisão

Identificada ainda nos bebês, a fimose, apesar do tabu, é comum e tem tratamento facilitado se feito logo após o diagnóstico. Ela se caracteriza pela presença de um anel fibroso no prepúcio (pele que recobre a glande ou cabeça do pênis), impedindo ou dificultando sua exposição.

Em geral, o prepúcio descola naturalmente. Quando isso não acontece, a pele extra dificulta ainda a higiene adequada no local e, se um tratamento clínico, com exercícios e medicação tópica não exteriorizar a glande, é preciso fazer uma cirurgia. "A maioria dos cirurgiões recomenda o procedimento por volta de um ano e meio até dois anos de idade. Usualmente, quanto maior a idade da criança, mais incômodo é o período pós-operatório", ressalta Wagner de Castro Andrade, cirurgião pediatra do Hospital Infantil Sabará, em São Paulo.

Segundo ele, não existe uma diretriz rígida específica sobre o assunto estabelecida pela Sociedade Brasileira de Pediatria ou pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Pediátrica. "Cada caso deve ser individualizado e as opções terapêuticas devem ser discutidas com a família", sugere. Usualmente, os pediatras indicam a utilização de pomadas e exercícios inicialmente e, nos casos em que não há sucesso e o anel de fimose persiste, há encaminhamento para tratamento cirúrgico. "Nos Estados Unidos, por motivos culturais, a maioria dos meninos é submetida precocemente ao tratamento cirúrgico", conta.

O grande benefício da cirurgia é a facilidade para realização da higiene local da glande. "A falta de limpeza da região pode implicar em maior risco de contaminação por doenças sexualmente transmissíveis e também aumenta o risco de câncer de pênis para os homens", diz Wagner.

Essa cirurgia remete à circuncisão, comum na cultura judaica. Essa operação é realizada ainda mais precocemente, até o oitavo dia de vida do bebê. "Quando realizada em ambiente hospitalar, com todos os cuidados de anestesia e antissepsia e com profissionais habilitados, esse tipo de cirurgia não causa prejuízo ao paciente", afirma Wagner.

A circuncisão é batizada de "berit milah". Todo recém-nascido judeu do sexo masculino se junta ao seu povo por meio dela. Segundo contam as tradições, a fé de Abraão foi testada diversas vezes e, numa das provações, o patriarca precisou remover o excesso de pele de seu órgão masculino, denotando o domínio espiritual sobre a compulsão primitiva. O procedimento é repetido até hoje, sempre no oitavo dia de vida do bebê, e é feito normalmente nas casas ou nas sinagogas, por um profissional devidamente capacitado. Logo após a circuncisão são aplicadas bandagens e pomadas, facilitando a cicatrização.


Segundo a Organização Mundial da Saúde, pelo menos 30% dos homens do mundo são circuncidados, a maioria por motivos religiosos.

Por Sabrina Passos (MBPress)

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