Estresse e dores também em recém-nascidos

Estresse e dores também em recémnascidos

Quando se vê um bebê na maternidade, geralmente se tem a impressão de que toda a paz do mundo está com ele, naquele ambiente silencioso e limpo. Existe até quem sinta inveja quando olha um bem protegido pela incubadora, totalmente aquém dos problemas do mundo. Infelizmente, a realidade dos recém-nascidos, principalmente aqueles muito prematuros, nas UTIs neonatais, não é tão invejável assim. Procedimentos invasivos, que causam dor e estresse são constantemente realizados. Além do desconforto momentâneo, esse tipo de manuseio também pode deixar sequelas.

Procedimentos como colocação de tubos nas vias nasais, realização de exames, fisioterapia, sonda para urinar e para se alimentar e troca de fraldas são hábitos rotineiros dentro dessas unidades. E também são os que mais costumam causar dor e desconforto nos bebês.

“Isso tornou-se um foco de preocupação, pois quanto mais o estresse é desenvolvido, há mais chances de acarretar em problemas neurológicos ou psicomotores”, afirma o médico neonatologista Joaquim Eugênio Cabral, do Hospital Maternidade São Luis, de São Paulo. “No momento em que o recém-nascido passa por aquela situação, ele libera substâncias do organismo que aumentam a frequência cardíaca, respiratória e pressão arterial”, explica. Além desses problemas, essas crianças também podem ter incidência de hiperatividade, dificuldade de aprendizado e cognitiva.

Com o objetivo de minimizar os desconfortos aos quais os recém-nascidos costumam ser submetidos, o Hospital São Luis adotou a técnica de manipulação mínima, que consiste em concentrar todos os procedimentos que tanto incomodam os bebês em um único período do dia. A UTI neonatal do São Luis se aliou à tecnologia e possui aparelhos que podem monitorar o bebê continuamente, sem precisar ser interrompido.

Outro recurso utilizado para sanar o desconforto e o estresse dos pequenos é a sucção. Ela pode ser tanto nutritiva, com alimentação via oral, quanto não-nutritiva, com a chupeta. “A sucção libera endorfina e também alivia a dor, o que também tira o estresse”, explica. Além desses métodos, dependendo do caso, é possível fazer uso de medicamentos. Procedimentos como drenagem, passagem de sonda e intubação requerem o uso de remédios para tirar a dor. Em alguns casos, sedar a criança é opção para acalmá-la.

É importante ressaltar que apesar desses procedimentos serem invasivos e dolorosos, eles são essenciais para a sobrevivência dos recém-nascidos.


O contato com a mãe também é um atenuante dos desconfortos ao qual o bebê é submetido quando fica na UTI. “A presença dela, figuramente, diminui o estresse da criança. O contato pele a pele com o filho é fundamental para que ele se sinta melhor”, finaliza.

Por Cínthya Dávila (MBPress)

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