Depressão pós-parto pode levar à morte do bebê

Depressão pósparto pode levar à morte do bebê

Para algumas mulheres, a alegria de ser mãe pode dar lugar à tristeza e à ansiedade. Sintomas como esses são indícios de depressão pós-parto. Essa doença, de fundo psicológico, faz com que a pessoa se sinta incapaz de cuidar do próprio bebê e, em casos mais extremos, pode levá-la a desprezar o recém-nascido.

Estudos apontam que entre 10% e 15% das novas mães apresentam algum tipo de depressão pós-parto. Essa é uma doença que pode atingir qualquer pessoa, sem levar em consideração idade ou classe social. Entretanto, estes números são mais preocupantes entre mulheres de baixa renda. Segundo uma pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo, uma a cada três mulheres que dão à luz em hospitais públicos são atingidas pela patologia.

Depressão pode ser confundida com a alteração de humor denominada Blues. "O Blues é um estado emocional alterado bastante comum que acontece nas novas mamães devido às mudanças físicas e emocionais decorrentes da chegada do bebê", explica Dra. Luciana Herrero, médica pediatra e fundadora da Aninhare. "Normalmente, o blues acomete as mulheres nos primeiros quinze dias pós-parto e tende a ser passageiro", completa.

Dra. Luciana afirma que quadros menos complexos, como o blues, pode evoluir para algo mais grave como uma depressão pós-parto. "Por ser uma doença emocional propriamente dita, esta patologia necessita de tratamento médico adequado e medicação, pois a mulher afetada apresenta um grande sofrimento, devendo ser ajudada e não julgada", defende a especialista. "A depressão, ao invés de melhorar com o passar dos dias, tende a piorar, podendo levar a crises de perda da razão (surtos psicóticos), ao até à morte do bebê", alerta.

"Grande irritabilidade, muito cansaço, grande tristeza e sensibilidade bastante alterada são alguns dos principais sintomas que podem ser acompanhados de uma grande prostração, dificuldade de cuidar do bebê e de si mesma", explica a Dra. Por ser uma doença silenciosa, o melhor remédio é a prevenção. Alguns cuidados básicos podem mantê-la longe da mãe e de seu bebê.

A médica sugere: "Grupos, cursos e rodas de conversas que preparem a família e a mulher para a chegada do bebê e que discutam abertamente o significado e as implicações de ser mãe são fatores fundamentais". Dra Luciana recomenda ainda que a família entenda que esta é uma doença e, consequentemente, um fator alheio à vontade e ao controle materno. É fundamental não julgá-la.

A educadora lista algumas atitudes que devem ser tomadas pelos membros da família. "Eles devem oferecer cuidados médicos e psicológicos necessários, acompanhamento e apoio prático ao bebê. Dependendo da gravidade do quadro depressivo, pode ser necessário outro cuidador por tempo integral. E, por último, um olhar compreensivo e afetuoso para com a mãe", finaliza.


Recentemente um caso ganhou destaque nos noticiários. Um bebê recém-nascido foi abandonado em uma caçamba de lixo, no litoral paulista. A menina foi encontrada por um homem que passava pelo local e que imediatamente pediu ajuda. A criança foi levada ao pronto socorro mais próximo. A mãe alegou sofrer depressão, o que não foi confirmado. A justiça determinou a prisão da mulher, sob acusação de abandono de incapaz. Ela, por sua vez, afirma estar disposta a reconquistar a guarda da filha.

Por Bianca de Souza (MBPress)

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