Cuidados na alimentação do bebê

Cuidados na alimentação bebê

Na hora de alimentar o bebê, muitas mães ficam na dúvida sobre o que é adequado para aquela criaturinha que não conhece gosto ou sabor. As maiores questões surgem principalmente na hora de introduzir alimentos, além do leite materno. Mas muita calma nessa hora. Lembre que, até os seis meses de idade, a alimentação é completa com o leite materno, que supre todas as necessidades nutricionais. Depois disso é que mãe pode pensar em começar a oferecer novas delícias. E essa oferta geralmente começa com sucos e, em seguida, com papinhas.

A nutricionista Solange de Oliveira Saavedra, gerente técnica do Conselho Regional de Nutricionistas (SP e MS), explica que as mães devem preferir primeiro as papinhas doces, de frutas como maçã, pêra e mamão, preparando tudo como um purê. "Nessa introdução é melhor oferecer a mesma fruta por dois dias seguidos. Assim, é possível observar se o bebê tem alterações intestinais ou erupções na pele, ou se apresentou alguma reação alérgica e, também, se aceitou bem determinada fruta", sugere. Mas mesmo que o bebê faça careta para algumas, não precisa desistir. Basta oferecer, num outro dia, o mesmo alimento, para a criança se acostumar com o sabor. "A mãe deve raspar a fruta com uma colher ou amassá-la com um garfo. A consistência tem que ser pastosa e não líquida e, com o passar do tempo, evoluir para uma consistência cada vez mais sólida", explica Solange. Ela diz ainda que a quantidade também deve aumentar gradativamente e que a papinha tem que ser dada entre as mamadas ou em substituição à mamada da tarde.

O tempo passa voando e está na hora de introduzir alimentos salgados na dieta do bebê. Depois de um mês com sucos e papinhas de frutas, é hora de iniciar com as papinhas salgadas, que farão parte do almoço da criança. "A oferta dessa papa salgada deve ser gradual, em pequenas quantidades, que pode começar com quatro colheres de sopa, aumentando mais uma colher no dia seguinte", diz.

Solange lembra que a papinha desse tipo não é sopinha, pois sua consistência é mais pastosa. "Deve ser feita de um só alimento por vez, como, por exemplo, batata, mandioquinha, cenoura, abóbora, abobrinha, sempre cozido e amassado com garfo. Assim a mãe começa a educar o paladar do bebê para distinguir os sabores salgados", afirma. Essa fase é uma transição entre os paladares. Gradativamente, misture dois legumes ou um legume e uma verdura (como couve, escarola, espinafre, rúcula) e mais tarde, vários legumes. Cuidado apenas com os temperos, para não salgar demais, já que a criança é sensível a sabores fortes e marcantes, como cebola, alho e outros condimentos. "Evite usar temperos industrializados, que já vem com muito sal e outras substâncias", alerta.

Apenas quando o bebê já estiver acostumado com a papa salgada é que se deve começar com as sopas, oferecendo agora uma maior variedade de alimentos. Solange lista uma série deles, que poderão fazer parte dessa comidinha do bebê, como cereais (arroz, aveia, macarrão), tubérculos (batata, mandioca, cará, inhame), leguminosas (feijão, lentilha, ervilha, grão de bico) e hortaliças (verduras e legumes), além de carne de boi, frango, peixe, fígado e ovo.

A sopa não deve ser preparada no liquidificador, pois assim ficará com uma consistência entre pastosa e líquida - e o que se quer é uma alimentação de consistência cada vez mais sólida. "O ideal é amassar os alimentos ou passá-los na peneira, no caso dos vegetais, e deixar as carnes em pedaços pequenos, desfiada ou moída. A sopa liquidificada dificulta para a criança identificar os sabores e a consistência de cada alimento que compõe a preparação".

A partir dos nove ou dez meses, é indicado oferecer pedaços de frutas e legumes macios e, mais tarde, frutas e legumes firmes, além de pedacinhos de carnes macias, evoluindo com o tempo até chegar a um bifinho. "Aos 3 anos de idade a criança já deverá estar comendo de tudo, junto com os adultos. Uma regra básica é não forçar a criança a comer o que não gosta; e mais importante é lembrar que o exemplo deve vir dos pais", ressalta a nutricionista.

Uma pesquisa realizada pelo Departamento de Pediatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) aponta que 67% dos pais consultados oferecem às crianças menores de 3 meses alimentos industrializados como sucos artificiais, salgadinhos, macarrão instantâneo e embutidos. Para Solange, esse desvio de uma alimentação mais saudável pode provocar na criança cáries e alergias, e a médio e longo prazo, pode colocá-la em risco de doenças crônicas como obesidade, diabetes, hipertensão, entre outras.

"Produtos industrializados em geral só devem ser introduzidos na alimentação da criança após os 2 anos, e de forma moderada, pois são altamente calóricos, podem conter uma grande quantidade de açúcar, gordura, sal, corantes, conservantes, entre outros ingredientes. Tudo isso dificulta aos pais identificar se a criança é alérgica a algum componente ou o que lhe faz mal dentre os alimentos que foram oferecidos", indica Solange.


Vale lembrar que essas orientações talvez não se encaixem para as mães que, por algum motivo de saúde ou emocional, não tenham conseguido amamentar seus filhos. "Neste caso, com certeza, a introdução de alimentos começa mais cedo e é normalmente oferecido algum tipo de leite industrializado que mais se adapte às necessidades da criança, devendo ser feita a orientação mais adequada pelo pediatra e pelo nutricionista", finaliza.

Por Sabrina Passos (MBPress)

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