Crianças com o pé torto: como proceder?

Crianças com o pé torto como proceder

Quando conversamos com os médicos sobre doenças diversas e possíveis curas, a argumentação desses profissionais costuma ser a mesma: quanto mais cedo é feito o diagnóstico, mais chances o paciente tem de se livrar do problema.

Com o PTC (Pé Torto Congênito) acontece a mesma coisa. No segundo trimestre de gestação, com a ajuda de um ultrassom morfológico, é possível detectar a deformidade. E uma ou duas semanas após o nascimento da criança, o tratamento pode ser iniciado. Normalmente os bebês com esse problema apresentam o calcanhar elevado e um pé pequeno, voltado para dentro.

"O procedimento é iniciado com manipulação manual dos pés e periódicas trocas de gesso. Na maioria dos casos, o problema é corrigido entre o segundo e o terceiro mês de vida, dependendo da rigidez das juntas do bebê", explica o doutor Miguel Akkari, ortopedista do Instituto Saúde Plena e chefe do departamento de Ortopedia Pediátrica do Hospital Santa Casa.

Mesmo com o uso de gesso e da manipulação dos médicos, a deformidade pode reincidir. Para que isso não aconteça, na retirada do último gesso, a criança passa a utilizar uma órtese - uma barra de ferro anexada às botas - em tempo integral por três meses e depois apenas à noite até mais ou menos os três anos de idade. Além disso, uma tira de couro precisa ser colada acima do calcanhar para impedir que os pés escorreguem. "O ideal é que o pé esteja totalmente corrigido antes que a criança inicie a marcha", esclarece o ortopedista.

Quando o gesso e a manipulação não resolvem a deformidade, o jeito é recorrer à cirurgia. "Neste caso, mexemos no Tendão de Aquiles. A cirurgia é simples e dura cerca de 20, 30 minutos. Alguns médicos fazem o procedimento no consultório mesmo, com anestesia local. Mas eu prefiro usar sedativo e deslocar a criança até um centro cirúrgico", conta Dr. Miguel. "Quando a criança é maior, as cirurgias costumam ser mais complexas e longas, durando entre 1h30 e 2h", completa.

As chances de a criança crescer com um pé perfeito e ter uma vida normal são de 90%. Porém, em alguns casos, os pais procuram o médico quando a criança já tem um ou dois anos de idade, quando as juntas já estão mais duras e precisam de intervenção cirúrgica. Nesses casos as chances de sucesso diminuem, podendo, até mesmo ter sequelas, como redução da força dos músculos do pé e da perna e rigidez a partir da segunda década de vida.


O PTC é de baixa ocorrência - cerca de um para cada mil nascidos vivos. Em meninos, a incidência pode ser duas vezes maior do que em meninas. "Não é regra, mas o pé torto costuma ser detectado quando os pais já tiveram a deformidade. Existe também uma variedade genética, ou seja, se alguém da família já teve esse problema - avós, tios - há mais chances de a criança ter também", alerta Dr. Miguel.

Não é possível prevenir a deformidade, mas o ortopedista garante que os pais não devem ficar desesperados. "O tratamento é simples e deve ser iniciado cedo, na primeira ou segunda semana de vida. As cirurgias mais longas são necessárias apenas nos casos mais complexos", finaliza.

Por Juliana Falcão (MBPress)

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