Como identificar o déficit de audição?

Como identificar o déficit de audição

Não é somente na fase escolar que pais e professores devem se preocupar com a saúde auditiva da criança. Ainda no berço, é possível perceber que algo não anda bem. "Quando o bebê não acorda com barulhos fortes, não procura o som ao atingir os seis meses de vida, ou não consegue identificar de onde vem o som ao completar um ano de idade pode ser que ele não escute direito", explica Sandra Regina Pilão Lopes, audiologista do Ambulatório da Criança de Guarulhos.

É importante lembrar que o déficit de audição pode ser congênito (de nascença) ou adquirido. "Se a criança coça muito o ouvido, tem otite (infecção no ouvido), ou problemas respiratórios como rinite ou quadros alérgicos, há chances dela apresentar algum tipo de problema auditivo. São perdas leves, mas que muitas vezes passam despercebidas", alerta Sandra. "Em alguns casos, os pais acham que a criança é lenta, porque desconhecem o déficit de audição e o fato de que ele causa problemas de desatenção e de aprendizagem na fase escolar".

Durante as aulas, os professores devem ficar atentos às crianças que se dispersam facilmente, pedem para repetir várias vezes o que foi dito ou tem queda de rendimento quando é mudada de posição na sala. Alunos que sofrem de déficit de audição precisam ficar centralizados na sala de aula, nunca com a orelha voltada para a parede ou para a janela, por conta dos ruídos. O professor deve ainda falar em tom médio e sempre de frente para eles, uma vez que precisam se beneficiar da pista visual.

Felizmente, problemas de audição têm sido levados a sério. Desde 02 de agosto de 2010, foi sancionada pelo então presidente Luis Inácio Lula da Silva a Lei nº 12.303, que exige que se faça o teste da orelhinha em todas as maternidades e hospitais. "O procedimento tem como objetivo saber se a criança escuta bem ou não. É uma maneira de se identificar precocemente o problema".

O caso pode ser diagnosticado até o terceiro mês de vida. Em alguns casos, a criança passa a fazer uso de aparelhos auditivos ou de um ouvido biônico, ou seja, um implante coclear, que corresponde a um dispositivo eletrônico que amplifica o som e fornece impulsos elétricos para que o usuário adquira a capacidade de perceber o som.

Sandra alerta que um erro grave dos pais é pensar que crianças muito pequenas não podem fazer exames auditivos. O que muda, segundo a profissional, é o tipo de exame. "Fazemos uma audiometria lúdica quando o paciente é bem pequeno e somente aos quatro optamos pelo teste de audiometria tradicional, que é o tonal. O pediatra pode fazer o requerimento para crianças de qualquer idade", afirma.


Segundo a audiologista, o Ambulatório da Criança de Guarulhos existe há um ano e é referência no município. No local, é prestado atendimento de média complexidade em pacientes a partir dos três anos para diagnosticar a necessidade de um aparelho auditivo. Já a avaliação para deficiência auditiva é feita em pacientes de zero a 18 anos. O local é credenciado pelo SUS e para ser atendido lá é necessário ter encaminhamento de um profissional.

Por Juliana Falcão (MBPress)

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