Células-tronco retiradas de leite materno regeneram músculos e ossos

Célulastronco do leite materno

O alimento essencial para o desenvolvimento do bebê foi tema de uma pesquisa encabeçada pela empresa brasileira Cyropraxis. Além de retirar as células-tronco presentes no líquido, os estudiosos conseguiram aumentar a quantidade de material por meio de técnicas laboratoriais.

A empresa conta que o próximo passo da pesquisa é fazer testes com camundongos e ratos de laboratório para injetar as células e verificar se elas são danosas ao animal.

Janaína Machado, mestre em Ciências Morfológicas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e responsável pela condução da pesquisa, conta que o número de células-tronco presentes no leite materno é bem pequeno, se comparado ao que pode ser coletado do sangue do cordão umbilical.

"No leite materno, o número de células obtidas no momento da coleta é da ordem de 1.000 células totais. Já no sangue de cordão umbilical obtemos uma média de 800 milhões. É por este motivo que as células-tronco presentes no leite precisam ter seu número ampliado em laboratório, por meio de cultivo celular", explica.

Para a coleta foram selecionadas 30 mulheres entre 20 e 40 anos, mães de bebês de três dias a um ano e meio de idade. Em uma primeira etapa do estudo, as técnicas de coleta, transporte, processamento e expansão das células foram padronizadas.

"O leite foi extraído por meio de bomba estéril, e dele foram retiradas as células-tronco que são imediatamente colocadas em garrafas e cultivadas no laboratório. Depois de ter seu número ampliado, estas células são congeladas e armazenadas a menos 190°C", esclarece Janaina

Após a conclusão dos testes com animais, de acordo com as normas em vigor na Europa (EMA - European Medicines Agency) e nos Estados Unidos (FDA - Food and Drug Administration), os pesquisadores partirão para a última etapa, que será a pesquisa envolvendo a participação de seres humanos.


Janaína afirma que as células-tronco retiradas do leite materno poderão ser utilizadas para regenerar músculos, cartilagens, ossos, pele e até tecido neural. E ressalta: "Essas células-tronco, especificamente, não substituem aquelas encontradas na medula óssea ou no sangue do cordão umbilical para a regeneração da medula óssea."

Por Juliana Falcão (MBPress)

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