Atenção ao sono de seu bebê

Atenção ao sono de seu bebê

Não importa quantos filhos já tenhamos, é sempre um sufoco nos separarmos deles na hora dele dormir. São tantas preocupações - se ele dormirá bem, se pode se engasgar, vomitar - que até nosso sono acaba descendo ralo abaixo.

E nosso pequeno também sente nossa falta. "Na vida uterina, ele tem um timbre, o conforto da voz dos pais", explica Graziela Lopes Del Ben, médica neonatologista do Hospital e Maternidade São Luiz. Segundo ela, o bebê se acostuma ao aconchego e, por isso, fica tranquilo quando próximo a algo que lhe é familiar, como o conforto materno. "É questão de reconhecimento, proteção e segurança, da mãe, do consolo, do aconchego, a forma de pegar. Ele reconhece e é confortado".

A neonatologista diz que, segundo estudos, há uma posição ideal para deitar o bebê - em decúbito dorsal (de barriga para cima), aproximadamente 30 graus, em uma posição um pouco mais "alta". "Alguns estudos mostram que isso evita a morte súbita. Há menos riscos de o neném engasgar, do leite voltar, ele respira melhor nessa posição".

A médica também explica que deitá-lo de bruços pode aumentar o risco de engasgamentos, sufocamento com o paninho, estimular o refluxo, levando-o a se afogar em seu próprio vômito. E ressalta a importância de, até aproximadamente um ano de idade, alguém vigiar o sono do bebê. "Depois que ele aprende a sentar, os riscos são menores".

Depois de dar de mamar, é recomendável esperar de 5 a 10 minutos para ninar o bebê - ou até que ele arrote. "Depois dos seis meses, quando o aleitamento diminui, o risco também diminui", concluiu Graziela.

Já a psicóloga e psicoterapeuta Renata Soifer Kraiser, autora do livro "O Sono do Meu Bebê" (CMS Editora) alerta sobre a importância de o bebê criar certa independência. "A melhor maneira de garantir um sono tranquilo é estipulando uma rotina de horários para a alimentação e o sono, sempre deixando que o bebê encontre sua forma de conciliar o sono sozinho, ou seja, sem que o bebê necessite de indutores do sono, como colo, ou mamadeira", explica.

Renata também ensina alguns truques: "Ninar o bebê, cantar, embalar, tudo isso pode e deve ser feito com o bebê ainda acordado. Ele pode ser colocado no berço sonolento, mas ainda acordado, para que aprenda a dormir por si próprio".

A importância do sono

"É durante o sono que ocorrem vários processos metabólicos e psíquicos que garantem a saúde e o bem-estar de um indivíduo. No caso dos bebês, isso ainda envolve o amadurecimento de funções neurológicas e a produção do hormônio do crescimento", conta Renata.

Ela diz ainda, que a qualidade do sono pode afetar, inclusive, a vida adulta. "Existem vários estudos que mostram que a quantidade e qualidade de sono interferem no aprendizado e na capacidade de concentração das crianças. Isso tem um impacto direto na vida escolar e consequentemente terá na vida do adulto, uma vez que os aprendizados da infância vão se refletir no futuro".

"Além disso, do ponto de vista psicológico, um bebê privado de um sono saudável pode apresentar desde irritabilidade até sintomas de depressão e hiperatividade. Um bebê que dorme bem tende a se alimentar melhor, a se relacionar melhor, e a se desenvolver melhor, uma vez que parte de suas funções psíquicas e metabólicas são realizadas durante o sono", adiciona.

"Hora do Soninho"

O sono é tão importante que o Hospital e Maternidade São Luiz, de São Paulo, criou a "Hora do Soninho", projeto implantado na UTI neonatal que separa um horário em que os recém-nascidos podem dormir mais tranquilamente.

"É um projeto de manipulação mínima, que estipula horários onde todos da equipe diminuem a manipulação do bebê, para uma menor carga de estresse", explica Márcia Maria da Costa, obstetra e coordenadora clínica da Maternidade São Luiz.


Em um período de uma hora, três vezes ao dia, diminuem-se as luzes, cobrem-se as incubadoras e um cd com suaves cantigas infantis é colocado nas salas e corredores, pra relaxar o ambiente. Ao receberem alta, mãe e filho ganham o cd de cantigas tocadas no violão que embalavam a soneca do neném enquanto estava internado.

Por Ana Paula de Araujo (MBPress)

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