Aprenda a falar com seu bebê

Aprenda a falar com seu bebê

Quando vemos um bebê, é quase automático balbuciar alguma coisa em tom meigo para tentar se comunicar com o pequeno. O hábito de conversar com eles, embora pareça estúpido para alguns adultos, não é apenas indicado, mas muito importante para a criança.

A fonoaudióloga Priscila de Paula Motta, pós-graduada em Motricidade Orofacial com ênfase em recém-nascidos, explica que falar com a criança ajuda em diversos elementos cruciais para sua vida adulta como, por exemplo, no vocabulário. "Essa ação ajuda, primeiro, na questão da prosódia, que é a melodia da fala. Depois, estimula a maneira como a criança vai falar, correta ou incorretamente. Então, se a mãe fala incorretamente, é muito provável que o filho também fale. Há ainda a questão do vocabulário, quanto mais rico for o seu, melhor", explica Priscila.

"A leitura também, mesmo com a criança pequenininha, ajuda nessa questão, estimulando a linguagem expressiva e a maneira como a criança se coloca no mundo. Dessa forma, o vocabulário léxico será muito maior", completa.

Priscila conta que, ainda no útero, a partir de 20 semanas de vida (aproximadamente cinco meses), o bebê já escuta, provando que as mamães estão certíssimas em conversar com seus pequenos desde o ventre. Nessa fase, segundo a fonoaudióloga, já existe estimulação elétrica do cérebro e das células auditivas.

"Antes disso, estimula somente o labirinto, ajudando no equilíbrio. Para questão da linguagem, a partir de 20 semanas já se aconselha conversar, porque a criança nasce reconhecendo a voz materna. Todos os barulhos que ela ouve a ajudam a posicioná-la no mundo", conta.

Depois que o bebê nasce, começa a chuva de balbucios maternos em tom meigo. Sabia que essa língua tem nome? É o "manhês", próprio das mamães e seus filhos - ou daqueles que se aventuram em entreter os pequenos -, em uma tentativa de comunicação. "Ela imita a própria criança, como forma da criança reconhecer aquilo que ela está falando", explica a fonoaudióloga. O "manhês" ainda inclui certa modulação vocal e expressões faciais: as mesmas que fazem alguns adultos se sentirem, digamos, ridículos.

Mas, conforme a criança cresce, a história muda. Priscila indica que a fala dos adultos deve ser o mais correta possível, com a conjugação adequada dos tempos verbais e pronúncia bem articulada. Entretanto, tome cuidado: palavras de duplo sentido devem ser evitadas, para que a criança entenda plenamente o que lhe está sendo dito.

Mesmo que sua fala seja apropriada, você não pode exigir o mesmo de seu guri, tampouco censurá-lo. "Os pais não devem atentar à fala, mas sim à intenção de comunicar. Isso pode inibir a criança a se expressar, desenvolver uma gagueira. Durante um período da fase infantil - entre três e quatro anos - existe uma gagueira natural. E muitas crianças acabam desenvolvendo uma gagueira que se estende pelo resto da vida por um bloqueio nessa fase", adverte. Sendo assim, até mesmo os balbucios devem ser entendidos como parte da intenção do pequeno de comunicar algo.

Por fim, a fonoaudióloga aconselha os pais a conversarem com seus filhos em qualquer situação: trocando de fraldas, dando banho, brincando. Assim, o pimpolho desenvolverá sua fala de mais adequada e prazerosa.

Confira a tabela do Conselho Federal de Fonoaudiologia sobre o desenvolvimento da linguagem da criança:

1 a 3 meses: presta atenção aos sons e se acalma com a voz da mãe. Chora, faz alguns sons, dá gargalhadas. Observa o rosto, sorri quando alguém fala com ele;

4 a 6 meses: Procura de onde vem o som. Grita, faz alguns sons como se estivesse conversando e imita sua voz;

7 a 11 meses: Encontra de qual lado vem o som. Faz alguns sons. Repete palavras. Bate palmas, aponta o que quer, dá tchau;


12 meses: começa a falar as primeiras palavras. Imita a ação de outra pessoa;

18 meses: Pede as coisas usando uma palavra. Já sabe falar umas 20 palavras;

2 anos: Consegue dizer frases curtas com duas palavras. Já sabe falar umas 200 palavras;

3 anos: É possível entender tudo o que ele fala, mas às vezes conjuga errado. Conhece cores;

4 anos: inventa histórias. Compreende regras de jogos simples;

5 anos: forma frases completas, fala corretamente;

6 anos: aprende a ler e a escrever.

Por Ana Paula de Araujo (MBPress)

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