Anemia ferropriva pode prejudicar o rendimento escolar

Luta contra a Anemia Ferropriva

Crianças de zero a três anos precisam de atenção especial quando o assunto é alimentação. Nessa fase a falta de ferro no sangue pode causar problemas de saúde, que se não tratados corretamente, podem comprometer o rendimento escolar e retardar a fala e o caminhar.

Um dos transtornos que acometem as crianças recebe o nome de anemia ferropriva. Segundo a Organização Mundial de Saúde virou pandemia. "Entre os sintomas mais comuns estão palidez, falta de apetite, sono agitado e diminuição do peso e da altura", explica o pediatra Ronaldo Libório Magalhães.

Este especialista morador de Ibirama, em Santa Catarina, há dez anos vem lutando com sucesso contra a ferropriva. Neste período, os índices da doença na cidade caíram de 70% para 4,5%. Batizado de Fome Oculta, o projeto contou com a ajuda do antropólogo Alberto Gomes da Costa.

"Eu cuido de seis creches e por meio de muita conversa e medicação apenas quando necessária, consegui fazer com que a alimentação infantil sofresse mudanças positivas", conta ele. Por meio do projeto, todas as crianças que ingressas nas escolinhas, conhecidas em Ibirama como CEIs (Centros de Educação Infantil), passam por um exame de sangue para verificação da taxa de ferro. E após um determinado período, o teste é repetido.

Da mesma forma que existem os exames admissionais para ingressar numa empresa, em Ibirama as crianças só entram nas creches depois de uma medição da taxa de ferro. "Os pacientes que apresentarem anemia grave eu trato com medicamento à base de ferro e repito o exame depois de dois ou três meses", conta o especialista.

Dr. Ronaldo explica que a doença atinge as crianças que estão nos primeiros anos de vida, por conta das mudanças de alimentação que ocorrem nessa fase. "Em muitos casos, a mãe precisa voltar logo ao trabalho, mais precisamente quando o filho tem apenas dois ou três meses, e, com isso, o leite materno é substituído pelo de caixinha, que possui menos substâncias nutritivas", lamenta.

E como os tipos de leite que mantêm a criança saudável são os mais caros, o pediatra firmou parcerias com a prefeitura, para que a bebida considerada "maternizada", ou seja, que contém aditivos, vitaminas, ferro e sais minerais, fosse disponibilizada em todas as creches da região. "A anemia ferropriva tem cura total. Mas para isso é preciso manter uma alimentação saudável e rica em ferro", orienta Dr. Ronaldo.

Fazer a criança se alimentar bem não é tarefa fácil, ainda mais quando é preciso convencê-las a comer fígado e vegetais. Mas foi por meio de muita orientação e da boa vontade das cozinheiras das creches que hoje foram criadas receitas atrativas que contêm esses itens, como bolo de melado e a nega maluca com fígado de boi. "Se déssemos um prato de espinafre para as crianças elas nunca comeriam. Por isso, tivemos que criar alternativas", explica.

A melhor forma de espantar o fantasma da anemia ferropriva seria não desmamar a criança tão cedo, mas se for inevitável, o jeito é substituir o leite materno pelos que possuem ferro, que apesar de serem bem mais caros do que os de caixinha, oferecem substância essenciais para o desenvolvimento do bebê. "Outros alimentos importantes são frutas, feijão, arroz, beterraba, chuchu e cenoura. Outra dica é fazer a criança comer carne vermelha de três a quatro vezes por semana", indica Dr. Ronaldo.


Feliz com o resultado do árduo trabalho que já dura uma década, Dr. Ronaldo deixa uma mensagem: às vezes a educação é mais importante do que a medicação. "É necessário gastar mais tempo conversando com os pais do que passando receitas. A mudança de mentalidade leva tempo, pois as pessoas demoram a absorver as informações e mudar de hábitos. Mas alcançamos bons resultados", diz.

Por Juliana Falcão (MBPress)

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