Andadores: ajudam ou atrapalham?

Andadores  pediatras não indicam

Foto: Divulgação

Com certeza você já viu ou colocou seu filho em um andador quando ele começou a firmar as perninhas para querer caminhar por aí. Essa fase para muitas mães é a mais esperada. Ver seu filho começando ter sua própria independência, atropelando tudo com o andador, deixa a casa ainda mais alegre.

Mas esse objeto tão comum nas casas onde vive um bebê prestes a dar os primeiros passinhos pode estar com os dias contados. A SBP - Sociedade Brasileira de Pediatria criou uma campanha para acabar com o hábito do uso de andadores, pois não foi encontrado nenhum benefício ligado a ele. Assim, cerca de 16 mil pediatras associados devem contraindicar para os pais o uso do acessório.

"Acreditamos que o andador põe em risco a vida e o desenvolvimento da criança. Embora muito popular no Brasil, o equipamento não é recomendado, porque atrasa o desenvolvimento psicomotor do bebê", explica Dr. Jorge Huberman, pediatra e neonatologista do Instituto Saúde Plena.

Segundo a SBP, bebês que utilizam andadores levam mais tempo para ficar de pé e caminhar sem apoio. Além disso, engatinham menos e têm escores (níveis) inferiores nos testes de desenvolvimento.

O andador pode causar queda, pois ele pode virar. E se houver degraus ou obstáculos no chão pode ser ainda mais prejudicial para o bebê. "Uma análise considerou que o andador é o produto infantil mais perigoso, seguido por equipamentos de playground. A cada ano são realizados cerca de dez atendimentos nos serviços de emergência para cada mil crianças com menos de um ano de idade, provocados por acidentes com o andador", alerta o pediatra.

Você não precisa do acessório para incentivar seu filho a andar logo, ele pode fazer isso com sua ajuda, conforme orienta Dr. Jorge. "Você pode estimular seu filho posicionando-se à frente dele e lhe oferecendo suas mãos, de forma que ele caminhe na sua direção. Também pode usar brinquedos que permitam à criança empurrar e se apoiar ao mesmo tempo (observe se o brinquedo é estável o suficiente)."


O especialista esclarece que há crianças absolutamente normais que só andam depois de um ano e cinco meses. O importante é que haja avanços. "Se seu bebê demorou um pouco mais para aprender a rolar e a engatinhar, é grande a chance de ele precisar de alguns meses a mais para andar. Desde que ele esteja aprendendo coisas novas, não há com o que se preocupar", garante.

Cada criança desenvolve habilidades de um jeito, umas mais rápido que as outras. Mas, se seu filho parece estar ficando muito para trás, converse com o médico. "Tudo isso são habilidades e levam um tempo para que o seu bebê aprenda", finaliza o pediatra.

Por Marisa Walsick (MBPress)

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