Amparo Maternal: conheça o trabalho da maior maternidade pública do Brasil

O trabalho da maior maternidade pública

Foto: Divulgação

Muitas mulheres não têm condições financeiras para levar adiante a gestação, por isso várias delas são auxiliadas por instituições que prestam apoio durante os nove meses da gravidez. Um exemplo é o Amparo Maternal, localizado na zona sul de São Paulo.

Considerada uma das maiores maternidades da América Latina, o Amparo Maternal conta com mais de 400 colaboradores e 100 voluntários que ajudam na realização de cerca de sete mil partos anuais. Ele foi fundado em 1939, pela franciscana Madre Marie Domineu, com o apoio do médico Álvaro Guimarães Filho e do Arcebispo de São Paulo, Dom José Gaspar de Alfonseca e Silva.

No "Centro de Acolhida para Gestantes, Mães e Bebês", o amparo abriga gestantes em vulnerabilidade social de várias regiões do Brasil, como relata a diretora executiva Maria Norma Arauco de Claure: "O Amparo Maternal recebe mulheres do Brasil inteiro e até mesmo de outras nacionalidades."

Segundo a diretora, os encaminhamentos são feitos pelo Centro de Assistência Social e também há uma demanda espontânea, sem restrições. "Já recebemos pessoas do Norte e Nordeste do país, assim como bolivianas, cubanas entre outras. Trata-se de um serviço filantrópico aberto para a sociedade, independente da origem, religião ou classe social", explica Maria.

Atualmente, o Amparo Maternal possui serviços de assistência social e à saúde com toda estrutura necessária para acolhimento das gestantes. "Dentro da maternidade, as mães ficam o período necessário para recuperação do parto. A média de permanência para parto normal é de dois dias, já cesáreas são três dias", relata Claure.

Dentro do centro de acolhida, as mulheres podem permanecer durante todo o período da gestação e até o sexto mês após o nascimento do bebê. "Durante esse período, a equipe de assistência social procura reinserir mães e bebês às suas famílias ou encaminhá-los para os serviços disponíveis da Secretaria de Assistência Social da Prefeitura de São Paulo", esclarece a diretora.

Durante a estada da mãe são oferecidas oficinas de costura, artesanato, cursos de informática, além de palestras, a fim de estimular a possibilidade de recolocação ou início no mercado de trabalho. "No dia a dia temos atividades com grupos e/ou parcerias para orientações de saúde e cuidados com o bebê", conta Maria. "Elas também recebem vestuário, enxoval, refeições, acompanhamento de pré-natal e alojamento", completa.

A maternidade e o centro de acolhida possuem um convênio com a Prefeitura Municipal de São Paulo, através da Secretaria Municipal de Saúde (atendimento SUS), para custear as despesas. Além disso, recebem um complemento mensal proveniente de vários parceiros e doadores.

A diretora também afirma que as mães que ficam alojadas não precisam retribuir com quantias financeiras. "Elas ficam alojadas e recebem todo o apoio sem custo ou contrapartida. Temos um regimento interno de conduta e boas práticas onde constam algumas obrigações como, entre elas, horário para as refeições", relata Maria Norma Arauco de Claure.

Voluntárias do Amparo

O Amparo conta com colaboração e boa vontade de algumas voluntárias. Existe um grupo que atua há alguns anos em diversas áreas como bazar, captação de recursos, doulas (acompanhantes de parto profissionais) entre outros.

De acordo com a diretora do Amparo eles sempre estão abertos para recrutar novos voluntários e quem tem interesse em contribuir de alguma forma com este trabalho, basta entrar em contato através do Serviço de Atendimento ao Usuário e realizar seu cadastro.

Para quem já presta serviços, auxiliar outras mães só lhe traz satisfação, como no caso da voluntária Arlete Aparecida Mariano Resende, de 69 anos. Ela conheceu o Amparo Maternal em 2001 e já fazia voluntariado em uma igreja, mas queria uma nova opção.


"Após uma sobrinha de um amigo ser acolhida pelo Amparo Maternal, em uma visita à garota, vi algumas mulheres de rosa caminhando pelos corredores e me interessei", conta Arlete. "Tempo depois, fiz o curso de doula e passei a ser voluntária no Amparo Maternal", acrescenta ela.

No primeiro dia em que auxiliou uma mãe em um parto difícil e se saiu bem. Neste momento ela percebeu que realmente estava preparada. "Gosto de ajudar as pessoas e acredito que a principal importância do trabalho desenvolvido é o fato de estar junto das mães em uma fase na qual elas estão sensíveis e muitas vezes debilitadas, precisando de um apoio", explica Arlete.

Hoje, ela presta serviços duas vezes por semana durante quatro horas em cada dia.

Por Stefane Braga (MBPress)

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