Americanas ganham dinheiro vendendo leite materno

Americanas ganham dinheiro vendendo leite materno

Foto/Reprodução

Aqui no Brasil, as maternidades fazem constantes campanhas para abastecer os bancos de leite materno. Mas lá nos Estados Unidos, a moda é comprar o líquido pela internet. Acessando o site "Only the Breast", mães e pais pagam US$ 3 (ou R$ 5) por 30 ml de leite materno.

O site foi criado por uma mãe, Chelly Snow, em 2009. Depois de dar à luz e perceber a importância do leite materno para o desenvolvimento do bebê, ela decidiu ajudar outras mães que precisam comprar o alimento e recompensá-las financeiramente pelo trabalho que têm para retirar e enviar o leite.

São mais de mil anúncios virtuais. E segundo um levantamento publicado pela revista americana "Wired", a venda de leite materno rende um bom pé-de-meia para as mamães. Elas chegam a faturar até US$ 1.200 (cerca de R$ 1.900) por mês.

Segundo Mercedes Sakagawa, nutricionista e coordenadora do Banco de Leite do Hospital e Maternidade Santa Joana, a legislação brasileira não permite comercializar o leite humano. "Este alimento deve ser usado para incentivar o aleitamento e não para ser comercializado e o Brasil é visto como modelo nesta área para muitos outros países", afirma.

Além de não ser permitida a venda, o país é rigoroso na hora de retirar e armazenar o leite. No banco de leite do Hospital e Maternidade Santa Joana são adotados os mesmos padrões dos bancos públicos.

"Entre as regras seguidas estão o uso de máscaras e toucas e higienização das mãos e das mamas. O líquido é retirado em local limpo e com equipamentos esterilizados. Após a retirada, o leite é congelado e rotulado, recebendo o controle microbiológico e de acidez", explica Mercedes.

A nutricionista explica que para retirar o leite em casa, a mãe também deve se atentar a detalhes como higiene e desinfecção de materiais e buscar um local adequado, longe da circulação de pessoas e animais. "O leite também deve ir imediatamente para um local frio. Caso contrário, haverá o aumento de micro-organismos do próprio leite e quanto mais eles aumentam, mais baixa será a qualidade do líquido", alerta.


Além disso, se o leite entrar em contato com saliva ou outros fluídos, ele pode ser contaminado com outras bactérias que fazem mal para o bebê, que pode vir a ter problemas como uma infecção intestinal e diarreia. "A mulher precisa ser saudável e estar amamentando seu próprio filho, doando apenas o excedente de leite para não prejudicar a criança. Ela também não deve apresentar doenças infectocontagiosas como HIV, tuberculose e hepatite", afirma Mercedes.

Por Juliana Falcão (MBPress)

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