Amamentar também é bom para as mães

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foto: Shutterstock

Todo mundo já ouviu falar da importância da amamentação para os bebês. Afinal, é o leite materno que tem os nutrientes que os pequenos precisam nos primeiros meses de vida. Mas, ao contrário do que alguns pensam, amamentar também é benéfico para as mamães.

Tudo bem que a gravidez faz uma verdadeira "bagunça" no corpo da mulher: os órgãos devem se adaptar para acomodar o novo ser humano que está chegando, e para oferecer-lhe alimento assim que ele vier ao mundo. Por isso, ainda na gestação, as mamas já sofrem mudanças importantes. "A produção do leite, no entanto, fica bloqueada durante a gravidez, sendo liberada somente após o parto", disse Sérgio Gonçalves, ginecologista e obstetra com Especialização em Reprodução Humana do CRH Monteleone e do Centro de Reprodução Humana Governador Mário Covas, vinculado ao Hospital das Clínicas.

Enquanto amamenta, a mulher estimula o aumento nos níveis de dois hormônios: prolactina - que estimula a produção do leite pelas glândulas mamárias - e ocitocina - que ajuda o líquido a sair, além de estar envolvido na contração do útero, tanto na hora do parto quanto depois dele, para que o órgão volte ao tamanho normal. "Quando a mulher amamenta, assim, o útero contrai, podendo fazer com que muitas mães sintam um pouco de cólica no momento da amamentação", declarou o obstetra.

Porém, como já foi dito, amamentar também tem suas vantagens. O ginecologista explica que esse ato faz com que o útero se mantenha contraído, ajudando a conter o sangramento no pós-parto e acelerando a regressão do órgão para seu volume normal. Além disso, fortalece a relação mãe-bebê, pois aproxima os dois numa atitude de carinho, cuidado e proteção.

Para tornar o momento mais tranquilo, é bom que a mulher esteja com os braços apoiados e as costas eretas - caso contrário, ela poderá ficar com dores no corpo por ter permanecido em posição desconfortável por um tempo razoável. Uma boa sugestão é se apoiar numa almofada. Olhar para a criança também é positivo, pois o estímulo visual ajuda na liberação dos hormônios da amamentação.

Para evitar feridas nos seios, certifique-se de que o bebê esteja bem posicionado e cuide para que ele realize a "pega" do jeito certo, como descreve Sérgio. "O bebê deverá abocanhar toda a papila [mamilo] e boa parte da aréola [região mais escura que circunda a papila]. Caso ele abocanhe apenas a papila, a chance de surgirem fissuras dolorosas é muito grande."

Confira outras dicas para evitar rachaduras, infecções e desconforto:

- Durante a gravidez, banhos de sol diários (15 minutos pela manhã ou no final da tarde) podem aumentar a resistência da pele da aréola e papila mamária (mamilo). Esta prática pode se estender ao longo da amamentação.

- Faça com que ambas as mamas sejam oferecidas e esvaziadas, sempre começando a amamentação pelo lado que estiver mais túrgido.

- Se surgirem pequenas fissuras, o uso de cremes cicatrizantes à base de lanolina podem ajudar bastante.

- Em casos de mamas túrgidas e dolorosas, não devem ser feitas compressas quentes, pois, embora forneçam algum alívio momentâneo, levarão ao aumento da produção do leite, com piora dos sintomas. Para mamas túrgidas, o mais indicado é a ordenha manual, para retirar o excesso de leite acumulado e viabilizar a amamentação.

E lembre-se que o melhor estímulo para a produção do leite é a sucção do bebê, não as bombas de sucção. Esses aparelhos, aliás, podem causar dores intensas nos seios e piorar lesões que estiverem presentes. "O uso da bomba é recomendado quando houver algum fator que impossibilite a amamentação", afirmou o médico. Tais casos podem ser bebês prematuros extremos, que precisem ficar na incubadora; malformações que dificultem a sucção, como o lábio leporino, por exemplo; mães que precisam trabalhar e não conseguem fazer pausas para amamentar seus filhos.


Mesmo com algum desconforto, não deixe de amamentar seu pequeno. Isso vai dar mais proteção a ele, e mais tranquilidade a você mesma.

Por Priscilla Nery (MBPress)

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