Amamentar até qual idade?

Amamentar até qual idade

Foto: Divulgação

O leite materno é um alimento muito importante para a vida de toda criança. Além de ser responsável pelo desenvolvimento do bebê, é extremamente benéfico para a saúde dele, pois previne doenças, obesidade, problemas odontológicos e aumenta a resistência do sistema imunológico. A amamentação também estreita o relacionamento entre mãe e filho.

Mesmo com todos esses benefícios do aleitamento materno, uma discussão foi levantada por conta da capa da revista americana "Time". Na publicação, o menino já crescido posicionado em cima do banco, mama no peito da mãe. A foto deu o que falar nas redes sociais, pois para alguns a prática deixa a criança menos independente.

Em entrevista à publicação, o pediatra americano William Sears afirmou que as mães precisam passar mais tempo ao lado dos filhos, por isso a amamentação deve ser prolongada e a mãe deve compartilhar a cama com o filho para dormir. Assim, a pergunta que vem à cabeça de toda mãe é: afinal, até quando devo amamentar o meu filho?

No Brasil, a Organização Mundial de Saúde recomenda o aleitamento materno por dois anos ou mais, sendo exclusivo nos primeiros seis meses. "O tempo em que o desmame é feito tem grande influência das questões socioculturais. Em algumas culturas indígenas, o desmame é feito quando a criança toma a iniciativa de fazê-lo, mesmo que ele tenha mais de três anos de idade", explica Luize Rodrigues Garé, psicóloga clínica, especialista em Psicologia Hospitalar pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

Segundo a especialista, não existe um tempo estipulado para deixar de amamentar o filho. "O desmame ideal é aquele feito gradualmente. Para isto, os pais devem perceber os sinais que a criança dá de que está madura, como quando ela recusa o peito, aceita outra forma de consolo, está segura na relação com a mãe e demonstra interesse em fazer outras atividades na hora da mamada", afirma ela.

O desmame forçado, feito quando a criança ou a mãe não estão preparadas pode gerar insegurança para a criança, o que dificulta o processo de independência. "A sociedade precisa entender que, assim como o processo de andar e de aprender, o processo de desmame tem as suas etapas a serem seguidas", relata a psicóloga.

A especialista ressalta que a mãe pode e deve criar outras situações nas quais ela esteja vinculada à criança, como na hora do banho, de contar uma história ou de brincar. "Em muitos casos em que o desmame é abrupto, o sentimento de insegurança pode aparecer, fazendo com que o pequeno recorra à chupeta, paninhos ou até mesmo comece a chupar o dedo", diz Dra. Luize.

Para a psicóloga, algumas mães prolongam o tempo do desmame por sentir dificuldade em dizer não ao filho. "Isso pode se tornar um problema, pois a criança começa a entender que ela pode ter tudo o que deseja", alerta ela. "A criança que busca o peito da mãe pelo simples fato de querer ter o controle da situação pode sim prejudicar a relação mãe e filho", completa Luize.

Já outras mães têm o desejo de amamentar os seus filhos até quando a criança desejar o desmame, mas são fortemente influenciadas pela sociedade e cobradas sobre a necessidade de desmamar o filho quando este já começar a se tornar independente, ou seja, quando já estiver andando e falando algumas palavras. "É importante que a mulher esteja segura do que realmente quer fazer", destaca a especialista.


Para ajudar nesta decisão, é fundamental que o casal converse com o médico e, em alguns casos, com familiares que estejam envolvidos no cuidado com a criança. "Mais importante do que a data do desmame é como ele será feito. É fundamental que a situação seja a mais confortável possível para todos os envolvidos no processo", finaliza Dra. Luize Garé.

Por Stefane Braga (MBPress)

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