Amamentação: uma história de amor

Amamentação uma história de amor

Marlene Santos Silva, 30 anos, empregada doméstica, casada, três filhos. Nos olhos, confiança e fé. Nos braços, o caçula Marcus Vinícius que, com apenas seis meses, já passou por quatro cirurgias com o objetivo de curá-lo de uma doença congênita intestinal chamada Megacólon. As intervenções, porém, ainda não levaram ao bebê tantos benefícios quanto a amamentação realizada pela mãe que, ao oferecer o leite do peito, materializa a cada instante o amor que o está salvando.

Em 18 de fevereiro de 2008, Marcus Vinícius veio ao mundo. “Via que ele sentia vontade de sugar o peito, mas logo desistia. Também não evacuava e eu sabia que isso não era normal. Foi quando o bebê foi encaminhado para exames. Após 48 horas do parto, os médicos informaram que o intestino apresentava uma torsão”, diz Marlene. “Fiquei desesperada e comecei a achar que não havia feito o pré-natal corretamente”.

Marcus Vinícius apresentava inervação inadequada do intestino grosso, e não conseguia eliminar as fezes. A doença fez com que o intestino se rompesse ainda durante a gestação. Encaminhada para uma grande cirurgia, a criança foi obrigada a ficar um mês e meio em jejum absoluto, sendo alimentada apenas por soro na veia. Passado o período, aconteceu o que ninguém, exceto a mãe, esperava. Sem explicações científicas, Marcus Vinícius mamou. Não quis saber da sonda inicialmente utilizada para facilitar a amamentação. Muito menos da ajuda de copos e mamadeiras. Foi levado de encontro ao peito da mãe. Começava aí a grande evolução do bebê.

“Durante o período em que meu filho esteve em jejum, doava leite para o banco do hospital. Sabia que esta era uma forma de estimular a produção do leite”, diz Marlene. “Chegava a tirar 500 ml de leite de uma única vez. Fiquei famosa no hospital de tanto leite que tinha”.

Segundo a médica nutróloga e diretora científica do Instituto Girassol (Grupo de Apoio a Portadores de Necessidades Nutricionais Especiais), que acompanha o tratamento de Marcus Vinícius, Fabíola Isabel Suano de Souza, o sucesso da amamentação do bebê é inexplicável.

“Após mais de um mês sem amamentação nesta fase da vida, 95% dos bebês não conseguem mamar novamente, seja por conta das dificuldades físicas ou do leite que seca”. A presença constante de Marlene ao lado do filho foi fundamental. “Para ela, nunca houve outra alternativa que não fosse a amamentação. Tanto assim que nem passou por sua mente comprar uma mamadeira. Ela tinha como certo que o bebê voltaria ao peito”.

Após a primeira cirurgia, Marcus Vinícius já sofreu outras três intervenções. Após cada uma delas, novos períodos de jejum. Nenhum deles foi páreo para a vontade do bebê em retornar ao seio da mãe. Na última cirurgia, uma grande surpresa. Algo que, de acordo com Dra. Fabíola, pode estar intimamente ligado aos benefícios do leite materno. “Os médicos esperavam a ausência completa de inervação no intestino do bebê, o que não foi observado. Ou seja, houve um amadurecimento inesperado do órgão que, eu acredito, pode estar relacionado à importância dos nutrientes do leite materno e a todo o amor da mãe. Com certeza ele caminha para uma vida normal”.

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Por Adriana Cocco

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