A mente dos bebês

A mente dos bebês

Sabe quando você ouve de alguém que até um bebê poderia ter resolvido determinada situação aparentemente complicada? Não deixe o queixo cair ao saber que, os bêbes podem muito mais do que imaginamos. Pelo menos é isso que defende a psiquiatra e professora de psicologia da Universidade de Berkeley, na Califórnia, Alison Gopnik. Segundo ela, crianças podem ser "mais inteligentes, criativas, cuidadosas e até conscientes que os adultos".

O estudo dela virou livro e está todo detalhado na obra "The philosophical baby - What Children’s Minds Tell Us About Truth, Love, and the Meaning of Life" (ou O bebê filosófico, o que a mente das crianças nos fala sobre verdade, amor e o sentido da vida, numa tradução livre). O que o livro faz é sugerir que conhecer mais os pequeninos pode responder questões filosóficas antigas. Se isso é possível ou não, pelo menos o livro conta uma boa história de como nos tornamos os adultos que somos.

Em seu livro, a psiquiatra desmente teorias antigas de que crianças não sabem diferir realidade da ficção. Ela ainda desafia os mais céticos afirmando que, enquanto brincam, as crianças fazem muito mais do que isso. Para ela, brincadeiras ensinam como lidar com a vida real e criar alternativas para determinadas situações. Segundo Alison, até os amigos imaginários não podem ser deixados de lado. Eles ajudam as crianças a aprender a interpretar as ações dos outros. "Crianças com amigos imaginários tendem a prever melhor os sentimentos das pessoas", garante.

"Sabemos atualmente que os bebês, diferentemente do que muitos ainda pensam, e outros tantos pensavam até há pouco tempo, demonstram capacidades variadas e, em certos aspectos, bastante apuradas", afirma Deise Maria Leal Fernandes Mendes, professora adjunta do Instituto de Psicologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Segundo ela, os bebês já nascem com sistemas estabelecidos em sua arquitetura mental que lhes conferem predisposições de grande valor para que possam explorar e conhecer o mundo. "Esses mecanismos funcionam como uma espécie de ‘programas mentais’ pré-estabelecidos, que os torna, por exemplo, seletivos com relação à imensa variedade de estímulos externos a que são, normalmente, submetidos".

Alguns estudos dizem que as crianças pequenas não apenas são irracionais como imorais e até egoístas. Pelo estudo de Alison, tudo isso é errado e injusto. Ela afirma que a ideia de que a noção de moral se cria na adolescência é errada. Pequeninos de dois anos já sabem, segundo ela, a diferença entre regras morais (não machuque outras criancas) ou pura conveniência (tire os sapatos sujos na porta).

"Os bebês chegaram a ser vistos como estando em permanente estado de confusão, e indiferenciados em relação à mãe, mas manifestam, desde os primeiros dias de vida, alguma noção de que são distintos do ‘outro’. Evidências nem tão recentes nos fazem ver que não só esta capacidade está presente, como os sistemas cerebrais de representação do ‘eu’ e do ‘outro’ estão conectados", confirma Deise.

Alison qualifica os bebês como máquinas cognitivas e garante que eles aprendem tão rápido que, a cada poucos meses, transformam completamente seu próprio ponto de vista do mundo, abandonando o que sabiam e mergulhando em jeitos novos de entender a própria existência. "Adultos flexíveis e inovadores podem mudar de ideia duas ou três vezes na vida toda".

Deise, que faz parte do grupo de pesquisa "Interação social e desenvolvimento", lembra que a capacidade de buscar e estabelecer trocas afetivas com outra pessoa se manifesta muito cedo e se complexifica rapidamente. "Ao estudarmos as expressões faciais de emoção em bebês de até um ano, observamos que próximo dos dois meses de vida, os bebês não só se mostram sensíveis à tonalidade afetiva das interações com a mãe, como respondem de modo contingente aos seus comportamentos afetivos, especialmente o sorriso", pondera. "Estas evidências falam a favor de uma capacidade não só de organização de seus próprios comportamentos, mas dos seus em relação aos do outro, o que traduz certo grau de complexidade em suas habilidades".

A médica americana afirma que, enquanto os bebês são dependentes para resolver tudo - pais e babás alimentam, limpam, cuidam do sono -, têm tempo para desenvolver a imaginação, estimulando o cérebro como em nenhuma outra época da vida. Quando crescemos, segundo ela, aprendemos a ignorar o que está a nossa volta, editar mesmo às distrações e focar em atividades em particular - forçando que a imaginação pare de crescer.


Se você quer voltar a ter a mente de bebê, a sugestão da professora é meditação. Segundo ela, a prática ajuda a ficar mais consciente do que está ao redor até que os sentidos se iluminem simultaneamente, com uma distinção pequena no trivial e do importante. É assim que os bebês experimentam o mundo. "Bebês, como Buda, são viajantes num quarto pequeno". Na Amazon mais próxima você pode encomendar o livro de Alison, por US$ 25.

Por Sabrina Passos (MBPress)

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