Viver em paz com o dinheiro

Você já ouviu, assim como eu, a famosa frase, "se a palavra é de prata, o silêncio é de ouro...", valorizando analogicamente que falar muito, discursar muito e fazer barulho sobre algo tem custo menor do que a discrição e o silêncio, como um segredo reservado. Será que a relação com o dinheiro passa por aí?

As pesquisas que faço mostram que poucas pessoas falam confortavelmente sobre dinheiro, e menos ainda falam sobre salários, gastos e valores monetários. A sociedade discursa sobre as tendências da moda, a mais nova crise ou apagão, a história da hora, mas não fala sobre como movimenta o dinheiro - note que as notícias de economia discursam sobre o crescimento monetário num contexto nacional, global, e não sobre as curvas dos salários - fazendo com que o tema dinheiro permaneça escondido, oculto, quase como inexistente.

Verdade é que não "abrimos a guarda" principalmente quando temos valores e consideramos estes valores importantes e parte de nossa autoestima. Repare que há uma diferença entre ser reservado quanto a dinheiro e mostrar as últimas compras de luxo adquiridas. Ninguém pergunta "como você fez para pagar esta dívida?", mas sim comtempla a ousadia de quem agora tem o carro mais caro da vizinhança.

O que isso representa no cotidiano de quem quer viver em paz com o dinheiro?

Praticamente falando, cuide de seu dinheiro, da sua saúde financeira da mesma forma que cuida de sua saúde física e mental: você não precisa alardear o quanto tempo que não sabe o que é gripe, pois as pessoas naturalmente notam como você é saudável. Daí também não é válido contar o quanto você tem, o quanto perdeu, de quanto foi o seu aumento salarial, até porque são informações que fazem parte do seu mundo pessoal e não precisam ir para o twitter...

A outra coisa relevante do silêncio de ouro que o dinheiro tem é que ele só faz sentido dentro de um sistema como o que vivemos. O dinheiro não substitui emoções, conquistas e dificilmente irá comprar o que mais queremos: afeto, aceitação, saúde, elegância, atração. Nosso potencial financeiro sem dúvida ajuda a aproximar as ferramentas para alcançar o que mais desejamos, mas nunca irá substituir o que queremos para nossa felicidade.


A discrição em relação ao dinheiro não tem origem nos conceitos antigos de pecaminosidade do dinheiro, ou da exaltação à modéstia e humildade - até porque podemos ser modestos e humildes sem subserviência - mas porque dinheiro é apenas e tão somente o meio de representação de valores de produção. Numa análise simples, pode ser feito a hora que quisermos, da forma que quisermos, já que dinheiro em muito se origina do trabalho, portanto é só trabalhar, certo? E para concluir: guarde no silêncio do seu coração o seu desejo, seja financeiro ou espiritual; sem fazer alarde, ele irá germinar e anunciar as boas novas na sua vida.

Suyen Miranda é publicitária e consultora de finanças pessoais, atuando no Brasil, Mercosul, Portugal e Angola. Já foi consumidora compulsiva voraz e tornou-se poupadora e empreendedora, e acredita que toda mulher pode e deve ser autônoma e independente financeiramente. suyen@suyenmiranda.com.br

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