Viajar ao exterior: levar dinheiro, cartão de crédito ou pré-pago?

Férias  cartão de crédito ou prépago

Foto: Blue Jean Images/Corbis

Que viajar é muito bom, e se for algo planejado, fica ainda melhor: é como realizar um sonho, atingir uma meta tão desejada e poder aproveitar bem, fazendo bons passeios, conhecendo bons restaurantes e, claro, ainda comprando umas coisinhas que vão lembrar o quanto a viagem foi gostosa. Mas para quem quer sair do país ou ainda fazer cruzeiros marítimos que aceitam dólares fica a pergunta: devo levar dinheiro estrangeiro, cartão de crédito ou carregar um cartão internacional pré-pago?

Antes de pensar em sair comprando dinheiro - é isso mesmo, comprar dólares ou outras moedas em casas de câmbio significa comprar dinheiro, e por isso é que se cobra um valor acima da cotação que é a lucratividade da casa de câmbio - faça um plano de quanto pretende gastar durante a viagem, e seja bastante realista neste cálculo. Some tanto o que você quer usar para compras como o que será preciso para passar os dias fora do país: despesas de alimentação, transporte, hospedagem, passeios. Neste cálculo de despesas não seja muito econômico, porque a tendência é gastar um pouco além do recomendado, pois em viagens há um maior relaxamento da postura econômica mesmo para quem gosta de poupar sempre.

Depois de definir o quanto será necessário, acrescente 10% neste valor por conta de alguma variável, que pode ser uma emergência tanto de extravio de malas, demora no aeroporto, ou outra situação inesperada. O bom de calcular a mais é que se nada de inesperado ocorrer você terá uma reserva para usar em coisas agradáveis ou ainda trazer de volta para o país para ser usada na próxima viagem, como uma poupancinha especial.

Deste valor calculado com o acréscimo de segurança, analise agora aonde você irá o que poderá contar. Comento isso porque não são poucos os relatos de pessoas que levaram tudo em dinheiro e perderam seja por descuido ou roubo; outras que só levaram cartão de crédito e não tiveram o cartão aceito por problemas locais, e ainda quem vai a destinos exóticos onde cartão de crédito ou débito é algo complicado e não funciona perfeitamente. Não precisamos ir muito longe: em Buenos Aires alguns estabelecimentos têm problemas de transmissão de dados e os cartões acabam demorando a funcionar adequadamente. E quem vai para recantos africanos pouco comuns também passam apertado por total falta de infraestrutura para cartões magnéticos sejam de crédito ou pré-pagos internacionais.

O que sugiro sempre é dividir o volume a ser gasto em porcentagens que podem variar conforme o destino da viagem. Imagine que para efeitos de cálculo você vá levar cem dólares. Assim, reserve 30 dólares para levar em dinheiro (30% da verba total), preferencialmente em notas de baixo valor, um, cinco ou dez dólares, pois é dinheiro para pagar um táxi, um lanche no aeroporto ou uma despesa de chegada; reserve outros 30 dólares para compras com cartão de crédito e os quarenta dólares (40% restantes) carregue o cartão pré-pago internacional.

Para facilitar sua escolha, veja as vantagens e desvantagens de cada modalidade de "dinheiro":

. Dinheiro vivo - nas casas de câmbio você irá comprar dólares, euros, ienes, libras esterlinas, dólares canadenses e conforme a casa outras moedas podem ser oferecidas. No entanto as que listei são as mais comuns. São práticas porque você vai precisar delas para as despesas pequenas, como o transporte, um eventual café ou lanche. Devem ser guardadas em segurança porque você irá se deslocar com o dinheiro vivo - a chance de perda ou roubo existe não só no Brasil como em qualquer lugar do mundo. Lembro que sempre que comprar moeda estrangeira você irá pagar um acréscimo que varia conforme a casa de câmbio, portanto vale pesquisar quem trabalha com um preço que valha a pena.

. Cartão de crédito - extremamente prático e confortável, em caso de roubo ou perda basta acionar a central do cartão por telefone; o que deixa a compra mais cara é a cobrança do IOF, imposto sobre operações financeiras, que é de 6,38% sobre o total das compras no exterior, em moeda estrangeira. Vale a pena pagar o imposto? Conforme o preço do produto pode valer a pena sim, mas analise se este acréscimo não deixa o item comprado no mesmo valor praticado no Brasil.

. Cartão de débito internacional ou cartão pré-pago internacional - são modalidades que não tem a cobrança de IOF acima, mas cuidado: em vários lugares no mundo, principalmente em certos países do Oriente Médio e Ásia estes cartões apresentam restrições ao uso e não são aceitos. No entanto, na América do Norte e Europa são moeda corrente e facilitam bastante a vida. Só não se esqueça de deixar a senha longe dos cartões, porque em caso de roubo senha e cartões são usados com facilidade pelos marginais, e até ocorrer o bloqueio por telefone as compras serão debitadas sob sua responsabilidade.

Antes de viajar recomendo que ao levar o cartão seja de crédito, débito ou pré-pago você tenha em mãos os números de apoio ao cliente em caso de necessidade, tenha uma senha memorizada para não precisar carregar papeizinhos com os números (e perder ambos, cartões e papéis) além de acionar o serviço de seguro dos cartões para viagens, tanto seguro contra acidentes e urgências hospitalares quando os de roubo ou furto.

Quem toma medicação que precisa comprar no exterior deve levar a receita traduzida para o inglês (preferencialmente, ou o idioma do país) citando o nome do genérico do medicamento, pois sem receita ou somente com receita brasileira a farmácia pode recusar a venda. Fique alerta e aproveite suas férias sem destruir suas finanças e evitando problemas estranhos em terra estranha. Boa viagem!

Suyen Miranda é publicitária e consultora de finanças pessoais, atuando no Brasil, Mercosul, Portugal e Angola. Já foi consumidora compulsiva voraz e tornou-se poupadora e empreendedora, e acredita que toda mulher pode e deve ser autônoma e independente financeiramente. suyen@suyenmiranda.com.br

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