Vamos nos tornar sustentavelmente econômicos?

O que mais se ouve hoje é a expressão sustentabilidade: sustentabilidade ambiental para preservar o planeta e os recursos naturais, sustentabilidade pessoal para ser autônomo (o que equivale a dizer "dono do seu nariz") e lanço a pergunta: vamos ser sustentáveis em nossa vida financeira?

Para entender o conceito, vamos começar pensando na sustentabilidade ambiental. Usar produtos e serviços que colaborem com a ecologia, com a natureza e não a destruam. Produtos e serviços capazes de aproveitar os recursos existentes sem gerar detritos, ou minimizando ao máximo a geração de desconforto no ambiente. Produtos e serviços que trazem qualidade de vida, comprometimento ético - pois não fazem mal a outras pessoas, animais, plantas e ambiente - e responsabilidade com toda a sociedade. Isso é a sustentabilidade neste aspecto. E com nossas finanças podemos aplicar a mesma situação, quase como uma regra: fazer escolhas que estejam diretamente ligadas a sustentabilidade de cada um economicamente.

A pergunta chave é: você é sustentável com suas finanças a ponto de não depender de terceiros para que sua vida funcione bem no quesito dinheiro? Há pessoas que, embora não trabalhem, tem renda vinda de imóveis, serviços ou investimentos que proporcionam autonomia e geram reinvestimento. Há outras que, mesmo com um alto salário, dependem de ajuda externa - que vai desde a contribuição dos familiares ao uso quase constante do cheque especial para fechar as contas do mês - e portanto não tem autonomia na gestão de seus recursos financeiros.

O importante para pensar sobre este aspecto é que a sustentabilidade financeira não implica em jamais gastar - até porque o gasto bem pensado estimula a economia e os negócios - mas sim em planejar a médio e longo prazos horizontes de renda capazes de fazer o dinheiro trabalhar a seu favor.

Você certamente já ouviu histórias reais de quem veio para o Brasil sem saber falar português e nada de dinheiro, e com o trabalho conseguiu gerar um patrimônio que hoje reverte dividendos em investimentos, aluguéis, participação em sociedades e outras rendas que proporcionam sustentabilidade principalmente quando se tem mais idade e menos energia para fazer dinheiro - muitos idosos hoje usufruem desta renda para ter uma vida de qualidade, e certamente você pretende ser idoso um dia, não é?

A sustentabilidade financeira também engloba a escolha inteligente das formas de poupança e aumento da renda. Será que você pode fazer mais dinheiro com um trabalho eventual, um free lance ou um "bico"? Muitas pessoas fazem uma renda extra vendendo cosméticos, artesanato, serviços de digitação e culinária, dinheiro este que, no longo prazo, proporcionará um bom cenário de sustentabilidade para sua vida.

Outra forma interessante da sustentabilidade integrar o seu dia a dia financeiro é adquirindo produtos e serviços pela qualidade que eles tem, e não "pelo preço que dá", pois muitas vezes comprar o que não é adequado acabará por gerar mais despesas. Nem sempre o mais barato é o melhor, aliás em geral ocorre muito mais o contrário. Pense comigo: você quer comprar uma TV de LCD, embora tenha em casa uma TV convencional que funciona bem. É melhor comprar uma similar mais baratinha - e ficar descontente porque não é a desejada TV de LCD - ou esperar um pouco e se capitalizar para comprar o que realmente deseja, até porque você ainda tem a TV convencional funcionando direitinho?


Comece a sustentabilidade com seu dinheiro e verá que esta atitude irá ajudar muito o ambiente onde você vive a ser mais sustentável, assim como a sua natureza. Pense nisso.

Suyen Miranda é publicitária e consultora de finanças pessoais, atuando no Brasil, Mercosul, Portugal e Angola. Já foi consumidora compulsiva voraz e tornou-se poupadora e empreendedora, e acredita que toda mulher pode e deve ser autônoma e independente financeiramente. suyen@suyenmiranda.com.br

Comente