Vamos fazer a declaração de imposto de renda!

Esta semana é o prazo final para a entrega da declaração de renda do ano de 2009 para a Receita Federal. Todos os anos precisamos fazer esta declaração para que o sistema do governo responsável por recolhimento de impostos possa verificar se as informações sobre nossos ganhos, patrimônio e afins foram devidamente calculadas; em boa parte dos casos, principalmente para quem é assalariado, há a restituição de valores conforme o que for lançado na declaração.

Parece simples, não é? De fato sim, é simples. No entanto, conversei com muitas pessoas ao longo deste mês que demonstraram pouco conhecimento da forma adequada de preencher a declaração, sem falar naquelas que mais reclamaram do sistema em si - a legislação de impostos - do que da declaração. Entretanto, uma coisa quero ressaltar ao comentar sobre este fato, que todo ano se repete: a declaração. Se não houvesse este processo será que iríamos fazer, por nossa própria conta, uma auditoria nos nossos valores recebidos e pagos, bem como sobre nossos bens e direitos? Muito provavelmente não.

Não temos o hábito saudável de averiguar nossa situação financeira a cada ano, até para avaliar se crescemos financeiramente ou não. Isso faz sentido quando ouço de muita gente que aquele sonho de comprar uma casa própria, ou um carro melhor, ou uma viagem ainda permanece só no sonho, porque o recurso para isso não foi criado. Como poderíamos criar recursos se não temos um cálculo prévio do que temos, do que fazemos mensalmente ou anualmente para assim planejar e realizar com mais segurança?

Para quem regularmente verifica suas contas correntes em bancos, poupanças, investimentos e sabe exatamente onde os holerites e comprovantes de pagamento estão - e sabe o que recebe e o que paga em tributos e outros débitos - fazer a declaração do Leão é tarefa fácil. Este ano temos como novidade o lançamento dos créditos das notas fiscais conforme o estado brasileiro, mas o escopo fundamental da declaração permanece o mesmo, há alguns anos. Desde que o programa passou a ser digital, via internet, todo o processo ficou quase auto-explicativo, mas mesmo em caso de dúvidas há desde faculdades oferecendo plantão de informações quanto sites com perguntas e respostas com a finalidade de eliminar dúvidas.

Se você não faz a declaração por achar que tem nada ou quase nada a declarar, fica para pensar: será que este ano você pode começar a fazer sua declaração direitinho, mesmo com pequenos valores, até para verificar o que é seu patrimônio. Com certeza nos anos seguintes haverá variação positiva, ou seja, você terá crescido financeiramente porque a declaração serve como um limiar, um limite para dali você perceber o que tem e o que pode crescer patrimonialmente. Quando não temos uma referência torna-se muito mais complicado saber por onde começar a crescer, certo?

Não quero questionar o mérito do que é feito com o dinheiro arrecadado dos impostos, pois isso geraria um artigo longuíssimo. O que posso estimular a você com a declaração é fazê-la como um exercício de referência do seu crescimento financeiro que visa uma melhor saúde financeira no futuro.


Experimente ver o processo de fazer a declaração não como um fardo, mas como a montagem de um cenário que permeou o ano de 2009 transformado objetivamente em números. Certamente ficará mais fácil analisar tudo o que entrou no seu bolso e o que se tornou parte do patrimônio, bem como suas despesas e seus custos. Veja esta tarefa como ponto de partida para uma melhor organização da sua vida tributária e financeira para que seu crescimento seja sustentado não por oscilações da economia, mas por sua vontade e disciplina.

Suyen Miranda é publicitária e consultora de finanças pessoais, atuando no Brasil, Mercosul, Portugal e Angola. Já foi consumidora compulsiva voraz e tornou-se poupadora e empreendedora, e acredita que toda mulher pode e deve ser autônoma e independente financeiramente. suyen@suyenmiranda.com.br

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