Um fenômeno chamado Rua 25 de Março

Um fenômeno chamado Rua 25 de Março

Quem nunca comprou um item bem baratinho na região da Rua 25 de Março, em São Paulo, atire a primeira pedra! Pois é, a área, que abrange 18 ruas e três mil pontos de venda, atrai consumidores dos mais variados tipos e idades, em especial mulheres (74% do total, segundo pesquisa realizada pela TNS Research International, sob encomenda da revista Exame).

Para quem não sabe, os comerciantes pagam caro para vender ali. O metro quadrado vale cerca de R$ 10 mil - valor acima até de ruas sofisticadas, como a Oscar Freire. E pelo jeito, vale à pena. De acordo com Antonio Valente, 53 anos, vendedor de tecidos que trabalha na região há 25 anos, não há endereço melhor para esse tipo de negócio. "Os lojistas até tentaram levar seu negócio para um shopping no Ceasa, em 1989. Mas quem fez isso acabou perdendo muito dinheiro e voltando para a 25 um ano depois. A ideia não deu certo", lembra.

Apesar do alto custo dos terrenos naquela área, quase não existem lugares para alugar ou vender. E não é à toa, já que ali circulam em média 400 mil pessoas num dia comum - que não seja um feriado prolongado nem a época de Natal ou Dia das Crianças. O faturamento é bem significativo: cerca de R$ 17,6 bilhões por ano. Esses fatores fazem da região um verdadeiro fenômeno do comércio nacional e mundial.

Claro que nem tudo são flores. Quem conhece a fama do local, em geral fica assustado com a violência e confusão, características de um ponto de venda muito movimentado e cercado de comércio ilegal. Estima-se que trabalhem dois mil camelôs nas 18 ruas, dos quais apenas 74 têm autorização para isso, de acordo com a pesquisa encomendada pela revista Exame.

Mas, parece que as coisas estão melhorando por ali. Antonio afirma que houve expressiva diminuição de furtos de carteiras e roubo de cargas. "Normalmente, quando um caminhão cheio de produtos parava numa esquina, vinha um homem, provavelmente armado, e ficava conversando com o motorista. Enquanto isso, uns 15 rapazes ‘limpavam’ o caminhão. Quando a Polícia descobriu essa ação, fez um ‘esquema’: parou um caminhão com um policial se fingindo de motorista, e outros esperando pelos bandidos. Só nesse dia, prenderam 48 pessoas e ainda descobriram os receptadores. Desde então, os assaltos diminuíram", comemora o vendedor.

Mesmo com a correria para atender clientes vindos de todas as partes do Brasil e até estrangeiros, Antonio se sente realizado trabalhando na 25 de Março. "Sempre trabalhei no ramo de tecidos, isso faz parte da minha vida. Gosto de atender, cada cliente quer uma coisa diferente. É difícil cair numa rotina", diz. Ele é funcionário da Riviera Tecidos que, ao contrário de muitos comércios da região, só existe há sete anos. A loja é especializada em tecidos para vestidos de festa e oferece também serviço de estilista. "Os clientes já saem com o modelo da roupa desenhado e o tecido ideal", explica. Depois, é só procurar uma costureira de confiança e aguardar que a peça fique pronta.


Uma coisa é certa: a área da 25 de Março tem tradição em vendas e preço baixo, desde o século 19, época em que a região recebia produtos importados vindos do Porto de Santos. Hoje, os clientes encontram de tudo, basta terem tempo para procurar. Antonio observa que a Ladeira Porto Geral, por exemplo, está repleta de lojas de bijuterias. O lugar é uma boa pedida para quem quer gastar pouco - um produto pode custar até 70% menos ali do que numa loja de bairro - e se distrair num universo de cores, sons e ofertas. Vale conferir!

Por Priscilla Nery (MBPress)

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