Seu salário é justo?

Seu salário é justo

A maioria das pessoas provavelmente responderia um sonoro ‘não’ a essa pergunta. Isso porque quase todo mundo leva em conta apenas o montante de dinheiro que entra na conta todo mês, sem avaliar racionalmente se o valor é justo ou não - e se está fazendo por merecer o reconhecimento.

O consultor executivo e coach Carlos Cruz explica que não há uma fórmula mágica para descobrir se o tanto que cada um ganha é o valor merecido, e lembra que isso depende da realidade de cada negócio e área de atuação. "O desafio é olhar para fora e ver quanto o mercado está pagando, em média, e então comparar os salários", sugere. Mas o mais importante, segundo ele, é avaliar o resultado que se gera para a empresa. "Muita gente corre para pedir aumento com a desculpa de que vai casar ou ser pai. Isso não é ‘problema’ das empresas. A pessoa tem que fazer valer uma promoção", exemplifica.

Carlos admite que muita gente se submete a baixos salários por medo de perder o emprego ou até por falta de aptidão na hora de negociar, nivelando por baixo. "Isso deve acontecer apenas quando a pessoa está disposta a aprender e sabe que, mais do que o salário em si, vai ganhar muito em experiência", indica.

Para pedir um aumento - ou conversar sobre a remuneração - um bom parâmetro é o tempo de serviço. Mas Carlos ressalta que ele não é isoladamente motivo para aumento. "É preciso se autoavaliar e perceber o quanto se contribui para a empresa", sugere. Outra ideia é chamar o chefe ou o líder e perguntar os critérios para promoções. "O empregado pode perguntar também o que pode fazer para agregar valor e resultados e, assim, angariar um aumento".

Além do valor líquido que você recebe todo mês, é preciso considerar também os benefícios. E lembrar que mais do que os tangíveis, como vale-refeição, vale-transporte e seguro de vida, por exemplo, há os intangíveis. "É preciso levar em conta o ambiente de trabalho, a qualidade de vida que o emprego proporciona, a segurança, o horário, a localização e, principalmente, a experiência que se soma. E aí, para identificar se o que recebe pelo trabalho é justo, deve analisar a ‘troca’ de benefícios", ensina Carlos, que é também diretor da Up Treinamentos e Consultoria, em São Paulo.

Ele considera ainda que, para os serviços, num futuro bem breve os salários devem mesmo dar lugar ao pagamento por resultado, terceirizado. "Os empreendedores independentes são uma tendência de mercado, onde o assalariado será substituído por pequenas empresas. As pessoas precisam pensar nas suas carreiras como uma empresa e mudar o paradigma. Assim, verão as organizações onde trabalham como verdadeiros clientes".


A sugestão de Carlos é vencer a ansiedade, quando o assunto é salário. Esperar (e criar) oportunidades, atuando proativamente, aumenta muito a muito mais a chance do aumento do que se lamentar. Essa lamentação não agrega valor e, pelo contrário, acaba se tornando um empecilho na hora de desenvolver com qualidade as atividades.

Por Sabrina Passos (MBPress)

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