Será que a inflação volta a nos assombrar?

Inflação

Foto - PictureNet/Corbis

Para responder a isso com certeza penso que nem uma boa bola de cristal daria conta, mas podemos sim pensar em como lidar com possíveis aumentos de preços - alguns abusivos, sem dúvida, outros causados por efeitos de mercado, demanda e oferta - que podem afetar menos a nossa vida se tomarmos alguns cuidados com nosso controle financeiro.

O primeiro ponto a pensar é o balanço entre o que recebemos e gastamos. O mundo ideal é feito de equilíbrio de modo a poupar um pouco (cerca de 5% ao menos) e ter despesas pagas pela receita (o ganho) mensal. Sei que muita gente sua para fechar esta conta, e outros acabam rolando dívidas. Esta questão do equilíbrio do balanço vai além da inflação, parte de cada um numa análise criteriosa e muitas vezes dolorosa - afinal, para fechar a conta muitas vezes temos que abrir mão de certos confortos, algo que ninguém gosta, não é?

Reduzir gastos é algo prudente tanto num quadro de economia estável quanto inflacionária. Se os preços começarem a subir a ponto de afetar o poder de compra teremos de rever gastos, até mesmo para quem tem as contas em ordem. Muitos já sentem esta diferença no bolso, no supermercado e no lazer. Daí que pesquisar passa a ser o segundo ponto importante para boas finanças pessoais: pesquise preços melhores e, se necessário, mude alguns padrões de consumo.

Lembro que há alguns anos não tínhamos a fartura de frutas e legumes quase o ano todo, e assim os cardápios mudavam para acompanhar as safras. Podemos fazer o mesmo no que se refere a um dos itens que mais pesa no orçamento: a alimentação. Há diferenças de preço entre supermercados; o horário de fim de feira traz boas ofertas e vale ficar de olho nos folhetos de ofertas que sempre tem algo mais em conta e que vale a pena. Substituições de itens não só ajudam no bolso quanto na digestão, promovendo uma variação alimentar que pode surpreender em sabores inusitados - e bons!

A terceira observação importante para sua economia pessoal é o controle de gastos feitos tanto no papel ou na planilha, para que você acompanhe eventuais evoluções de preços e possa analisar os números chegando a novas conclusões e decisões. Sem ter por escrito fica complicado avaliar aumento real no valor ou no consumo para analisar o quanto gastamos em um período de três meses.

Se estiver por escrito poderemos ver se dá para reduzir o consumo de combustível, ou de energia, com um roteiro mais eficiente ou uso de eletricidade em horários mais curtos; fica mais fácil rever prioridades e pensar sobre aumentar a renda com atividades extras. Poderemos projetar o que queremos financeiramente para nosso futuro a partir de uma simples lista de despesas - e lembro que o que mais nos faz mudar atitudes é pensar em como realizar nossos sonhos.

Se houver ou não um momento de inflação no nosso horizonte lidaremos melhor com ele tendo um controle financeiro eficaz. Não podemos ficar à mercê dos movimentos externos até porque cada um de nós é uma estrutura financeira que pode ser saudável com atitudes pessoais inteligentes. Garanto que, se todos pensarem melhor em suas finanças, os impactos econômicos serão bem menores, resultando em um equilíbrio capaz de suportar as tempestades que a economia pode nos reservar.

Suyen Miranda é publicitária e consultora de finanças pessoais, atuando no Brasil, Mercosul, Portugal e Angola. Já foi consumidora compulsiva voraz e tornou-se poupadora e empreendedora, e acredita que toda mulher pode e deve ser autônoma e independente financeiramente. suyen@suyenmiranda.com.br

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