Ser pão-duro: problema ou solução para a saúde financeira?

Ser pãoduro problema ou solução para a saúde finan

Foi-se o tempo em que ser pão-duro era sinônimo de avarento, sovina, mesquinho, unha de fome, mão-de-vaca ou o que mais inventarem para o ato de evitar ao máximo o gasto de dinheiro. Hoje em dia, o chamado "pão-duro pós-moderno" é aquele que gasta, mas pondera, pechincha, tem a preocupação de manter o equilíbrio financeiro, não o acúmulo de bens que o antigo procurava alcançar, mesmo que não usufruísse.

Taí. Esta é a idéia defendida pelo autor Gustavo Nagib, que assina nada menos que quatros curiosos livros com casos bem-humorados e bons exemplos de como podemos fazer mais por menos. São eles: Manual do Pão-duro, Guia do Pão-duro I, Guia do Pão-duro II e A Economia Sustentável do Seu Dinheiro, da Editora Matrix.

A especialização de Nagib em ser pão-duro é o que há de mais curioso nessa história toda! Imagine que tudo começou após o fim de um namoro. Durante os dois anos do romance, o autor sempre bancou o cavalheiro, sem que a namorada se dispusesse a dividir a conta de um sorvete sequer, apesar de ganhar uma ajuda de custo no estágio que fazia. Três meses depois de o namoro chegar ao fim, Nagib encontra a ex-namorada com um carro novo. Segundo ele, o que ela havia economizado durante os dois anos junto dele, guardando o que recebia no estágio, foi o suficiente para a aquisição do automóvel!

Na entrevista a seguir, ele conta como age um pão-duro no seu dia a dia e quais as consequências boas e ruins desse ato de, digamos, economizar bastante. Além disso, veja só as dicas de Gustavo Nagib!

- Em geral, as mulheres gostam muito de gastar dinheiro. Será que existe mulher pão-duro?

Nagib - Gastar dinheiro todo mundo gosta. A diferença é que a mulher sente mais prazer. É mais difícil ter mulher pão-duro, simplesmente porque a variedade de produtos de consumo para as mulheres é bem maior e elas costumam ser mais vaidosas e menos preocupadas com as finanças. Mas, com a crise que sempre assola nosso país, até elas estão apertando os cintos. E no que se aperta os cintos, logo alguém chama de pão-duro. (Obs.: A expressão pão-duro serve para homem e mulher. Não tem pão-dura.)

- Ser pão-duro é um problema ou uma solução em busca da saúde financeira?

Nagib - Se o pão-durismo for para manter as contas no azul, não vejo problema. A temática dos meus livros e do que faço é fazer Mai$ Por Meno$. Não é deixar de fazer, nem fazer sem uma preocupação. Há de se fazer contas, sim! E no dia que não quiser fazer contas, se deixar levar por um impulso, ter um saldo para esse surto de gastador. O que não dá é para gastar sem se preparar para pagar depois, no caso do cartão de crédito.

- Quais as consequências boas e más deste tipo de comportamento?

Nagib - Boa: manter as contas no azul garante mais horas de sono! Acabo conseguindo ter mais lazer, pois não pago juros de cartão, de banco, de empréstimo. É o lazer que quem gasta sem inteligência acaba cortando, sacrificando. Permito-me, quem sabe, uma compra por impulso, daquelas que se chega em casa e se arrepende. Como não é sempre, não quebra meu orçamento. Aliás, nem lembro quando comprei por impulso. Eu namoro o produto antes.

Más: Se não souber dosar, deixar passar de pão-duro para avarento, aí complica as relações sociais. Saio, vou a aniversários, barzinhos, faço tudo com meus amigos. Não me tranco em casa. Mas, claro, consumo dentro da minha realidade. Se alguém do grupo pede um uísque numa saída, é certo que aquele uísque será pago por ele. Não entro no rateio.

- Como age um pão-duro no seu dia-a-dia?

Nagib - Igual a todos: desde que acordamos, gastamos. É luz, alimentação. A diferença é que sou mais organizado. Desde a geladeira, que arrumo de maneira que ao abrir fique o menor tempo possível com a porta aberta, até os dias de ir a mercado, banco. No que você é organizado, tudo flui melhor. Até o dinheiro.

-Ser pão-duro é uma qualidade adquirida ao longo da vida ou faz parte da personalidade de uma pessoa?

Nagib - Meu sobrenome Nagib não me deixaria ser muito diferente. Mas devo muito dessa minha organização a minha mãe. Desde pequeno ela me ensinou a fazer escolha. Não dava para ela comprar tudo que eu pedia. Então, tive de aprender a escolher. Um mês uma chuteira, no outro mês uma bola. E assim fui entendendo que dinheiro não nasce em árvore, é suado para ganhar e deve ser pensando antes de gastá-lo.

E olha lá as dicas de Guia do Pão-Duro II para a mulherada economizar:

- Quando seu batom estiver no final, coloque-o em banho-maria, espere amolecer e, com um pincel, segure-o entre os dedos polegar e indicador, misture bem e aplique. Você aproveitará aquele restinho que iria para o lixo!

- A borra do café que sobra no coador você pode aproveitar para esfregar nas mãos. Elas ficam macias.

- Pegue alguns finaizinhos de sabonete e rale. O pó de sabão torna-se sabão em pó.


- Caso trabalhe e almoce fora, procure um restaurante que ofereça cafezinho após a refeição.

Procure e aceite. Um cafezinho ao dia sem pagar, e no fim do ano você terá economizado mais de R$ 250,00!

- Doando sangue você faz um monte de exames de graça. E ainda ganha lanche!

Por Adriana Cocco

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