Psicoterapia para saúde financeira

Psicoterapia para saúde financeira

O que não falta nesta vida são as mais variadas formas de se tentar alcançar a organização financeira. Para colocar as contas em dia, acabando de uma vez por todas com as dívidas e, quem sabe, até poupar uma parte do salário, tem gente que adere ao uso de planilhas, outros preferem cancelar o cartão de crédito, e há até quem guarde dinheiro embaixo do colchão. Mas, quando nada dá certo e a dificuldade em lidar com o dinheiro piora a cada dia, tem gente que corre para o divã em busca da psicoterapia para saúde financeira!

Na verdade, a psicologia ainda não possui uma especialização nesta área. Mas o comportamento financeiro tem sido alvo de estudo entre psicoterapeutas que percebem consequências emocionais desastrosas na vida de pessoas com dificuldades em sua relação com as finanças (ou vice-versa).

"Está cada vez mais comum as pessoas procurarem a psicoterapia para entenderem melhor sobre o mau uso que fazem do dinheiro e tentarem superar as dificuldades causadas por isso", diz a psicóloga Patrícia de Rezende, orientadora em finanças pessoais.

Será este o caminho para fim de seus problemas financeiros? Acompanhe a entrevista...

- O que leva as pessoas a necessitarem da psicoterapia financeira: gastos compulsivos, inabilidade em lidar com o dinheiro e os negócios, ou problemas financeiros em geral?

Patrícia - Hoje as pessoas já entendem que muitas vezes uma dificuldade financeira ou o mau uso do dinheiro podem estar ligados a questões de ordem afetiva. Isso faz com que procurem mais a ajuda de um profissional desta área da psicologia, coisa que até bem pouco tempo não se tinha conhecimento. No entanto nem toda dificuldade financeira está relacionada a questões emocionais. Para se afirmar isto é importante avaliar a queixa : ver o tempo que essa dificuldade persiste na vida do indivíduo, investigar uma série de outros aspectos que possam estar relacionados à mesma e, principalmente, as características de sua personalidade.

- Como funciona a psicoterapia financeira? São sessões, trabalhos práticos, aconselhamento?

Patrícia - Como eu disse, somente depois de uma avaliação é que se pode dizer o tipo de tratamento, que vai desde uma psicoterapia a longo prazo à uma orientação mais focada na queixa. São sessões semanais ou quinzenais, conforme o caso, e os exercícios são voltados para a queixa em questão.

- Quais os resultados práticos? A pessoa aprende a lidar com o dinheiro e sanear suas contas? Pode-se dizer que há cura para esse tipo de problema?

Patrícia - A pessoa aprende a lidar com o seu jeito de ser. Resumidamente: ela toma consciência de sua forma em lidar com o dinheiro, buscando soluções para que ela mesma possa ter o controle e manter-se em equilíbrio. É como você ir ao médico e descobrir que determinado alimento te faz mal. Talvez isso não tenha cura, mas você mesma conhecendo seus limites pode encontrar meios de suprir aquela determinada alimentação e viver feliz com isso.

- Quanto tempo pode levar o tratamento?

Patrícia - Depende de cada caso: a queixa e o momento em que a pessoa se encontra é que vão definir. Pode ser de 6 meses a um ano. Já uma psicoterapia focada apenas nesse aspecto pode levar até 2 anos, no entanto os resultados já vão sendo sentidos nos primeiros meses. Mais do que isso já entramos num campo mais profundo, enfocando outros aspectos, não só o financeiro.

- Como é possível reconhecer a necessidade de um tratamento terapêutico para não afundar em dívidas?

Patrícia - No diagnóstico já podemos "prever" se o indivíduo tem ou não tendências para isso. Se esse for o caso, juntos, ele e o psicólogo vão traçar estratégias que o impeçam de entrar em dívidas.

- No seu consultório, é mais comum atender homens ou mulheres com esse tipo de problema?

Patrícia - Os dois casos, cada um com suas particularidades. As mulheres vêm com o peso de serem consumistas, os homens, por outro lado, carregam o peso por terem eles que ser o provedor, carregar a família nas costas. No entanto os papéis estão mudando e é comum o inverso também.

- Você poderia citar o caso de algum cliente para exemplificar?


Patrícia - Numa ocasião, uma pessoa de 33 anos, autônoma, me procurou porque ganhava exatamente o mesmo de quando teve seu primeiro emprego, aos 17 anos, e já possuía muitas dívidas. Por conta disso também não conseguia mais namorar e tinha poucos amigos. Na psicoterapia tomou consciência de que sua baixa renda era apenas uma maneira que encontrou para se proteger, tinha medo de se expor, de ser criticado e se relacionar. Com o tempo, tornou-se mais segura de si mesma e de suas possibilidades. Ao final do trabalho já havia quitado suas dívidas, dobrado sua renda. Foi um trabalho de aproximadamente um ano. Hoje essa pessoa está casada e tem dois filhos.

Por Adriana Cocco

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